São cerca de 50 obras, em que cada original ainda conta com tiragem de cinco edições. Felipe Morozini retrata expressões da cidade e de pessoas. Seu suporte é basicamente a fotografia, mas também utiliza colagens, pinturas, recortes, decalques antigos, e adesivos, sempre trabalhando a mão livre, para formatar peças de 1,5 x 1 metro, em média.
Nesta exposição, Morozini reúne seus trabalhos em séries, desde fotografias que receberam interferência de desenhos feitos com caneta hidrográfica até as imagens sobre as quais o artista aplicou decalques de avião, “atacando” emblemas da arquitetura paulistana (Niemeyers, Artachos e Catedral da Sé, por exemplo) e o modo de vida dos tempos atuais em série intitulada Invasões Bárbaras.
Altamente pessoal, a exposição apresenta o Last Floor Project: “um registro e catalogação da cidade de São Paulo e seus habitantes, sempre do mesmo ponto de vista, o último andar de um antigo edifício na Avenida São João”, conta o artista. Ela tem início com as obras Noiva do Vento e O Bico com as quais Felipe Morozini notou seu potencial de expressão. Quase um voyeur, ele tem intenção de fotografar a paisagem urbana, mas conforme amplia as fotos feitas com lentes de 300-500 mm, revela ações corriqueiras como um banho de sol, uma série de exercícios ou mesmo o reflexo de um espelho.
Primeira Individual Retrospectiva não é apenas uma exposição fotográfica. “Nela, desejo me expor em nome de uma experiência maior, sensorial”, reflete. Felipe Morozini apresenta a instalação inédita Cabelo ao Vento em que o espectador observa a obra ao passo em que uma lufada de vento complementa sua fruição. A mostra conta ainda com objetos do cotidiano criativo do artista, como brinquedos, porcelanas, espelhos, roupas, mobiliário etc.
Há também a série Psiu em que Felipe Morozini fotografou um cachorro durante anos. Primeiro, clicava o animal em repouso para, em seguida, chamar “psiu”. O cão se alarmava e uma nova foto era feita.
Outro conjunto de fotos é o Dreamers, que começou há oito anos no estúdio que também é a casa do artista. Os amigos que o visitavam eram fotografados no vidro da varanda que refletia a vista urbana e a sombra do artista. Dentre 150 retratados, Morozini selecionou 12.
Registrada em fotografias, a performance Jardim Suspenso da Babilônia traz a inquietação de Morozini frente ao Minhocão (Elevado Costa e Silva) onde, junto de 21 amigos, pintou flores de cal em toda a sua extensão. As fotos estarão expostas na Zipper Galeria, mas o vídeo circulou a internet e ganhou o Prêmio Especial do Juri na categoria Street Art no Festival Babelgum, presidido por Isabella Rossellini. O vídeo, que você pode conferir logo abaixo, também será exibido na galeria.
Lambe-lambes com frases de impacto foram colados em postes e paredes do espaço público em 2010 pelo artista e amigos, registrados em vídeo e fotos. O curta Eu Preciso Falar foi selecionado para a edição 2011 do Festival de Curtas Metragens de São Paulo.
