Muito vemos por aí, crueldades,
assassinatos, rituais, fanatismo religioso, tudo regado à muita morte.
Mas, em geral, não percebemos o que acontece em nossa casa. Não estou
falando da bandidagem que rola aqui no Brasil-il-il. Isso sabemos e é um
câncer difícil de estirpar. O que me refiro é às centenas de crianças
indígenas são enterradas vivas, sufocadas com folhas, envenenadas ou
abandonadas para morrer na floresta. Mães dedicadas são muitas vezes
forçadas pela tradição cultural a desistir de suas crianças. Algumas
preferem o suicídio a isso. Vejam bem, falei TRADIÇÃO CULTURAL.
Muitas são as razões que levam essas
crianças à morte. Portadores de deficiência física ou mental são mortas,
bem como gêmeos (um seria o lado mal, mas, mata-se as duas), crianças
nascidas de relações extra-conjugais, ou consideradas portadoras de
má-sorte para a comunidade. Em algumas comunidades, a mãe pode matar um
recém-nascido, caso ainda esteja amamentando outro, ou se o sexo do bebê
não for o esperado. Para os mehinaco (Xingu) o nascimento de gêmeos ou
crianças anômalas indica promiscuidade da mulher durante a gestação. Ela
é punida e os filhos, enterrados vivos. É importante ressaltar que não
são apenas recém-nascidos as vítimas de infanticídio. Há registros de
crianças de 3, 4, 11 e até 15 anos mortas pelas mais diversas causas.
O CASO “HAKANI”, uma menina chamada Sorriso:
Hakani nasceu em 1995, filha de uma
índia suruwaha. Seu nome significa sorriso e seu rosto estava sempre
iluminado por um sorriso radiante e contagioso. Nos primeiros dois anos
de sua vida ela não se desenvolveu como as outras crianças – não
aprendeu a andar nem a falar. Seu povo percebeu e começou a pressionar
seus pais para matá-la. Seus pais, incapazes de sacrificá-la, preferiram
se suicidar, deixando Hakani e seus 4 irmãos órfãos.
A responsabilidade de sacrificar
Hakani agora era de seu irmão mais velho. Ele levou-a até a capoeira ao
redor da maloca e a enterrou, ainda viva, numa cova rasa. O choro
abafado de Hakani podia ser ouvido enquanto ela estava sufocada debaixo da terra.
Em muitos casos, o choro sufocado da criança continua por horas até cair finalmente um profundo silêcio – o silêncio da morte.
Mas para Hakani, esse profundo
silêncio nunca chegou. Alguém ouviu seu choro, arrancou-a do túmulo, e
colocou nas mãos de seu avô, que por sua vez levou-a para sua rede. Mas,
como membro mais velho da família, ele sabia muito bem o que a tradição
esperava dele. O avô de Hakani tomou seu arco e flecha e
apontou para ela. A flechada errou o coração, mas perfurou seu ombro.
Logo em seguida, tomado por culpa e remorso, ele atentou contra a
própria vida, ingerindo uma porção do venenoso timbó. Para Hakani, ainda
não era a hora de cair o profundo silêncio; mais uma vez ela sobreviveu.
Hakani, tinha apenas dois anos e
meio de idade e passou a viver como se fosse uma amaldiçoada. Por três
anos ela sobreviveu bebendo água de chuva, cascas de árvore, folhas,
insetos, a ocasionalmente algum resto de comida que seu irmão conseguia
para ela. Além do abandono, ela era física e emocionalmente agredida.
Com o passar do tempo Hakani foi perdendo seu sorriso radiante e toda
sua expressão facial. Mesmo assim o profundo silêncio não caiu sobre
ela. Finalmente foi resgatada por um de seus irmãos, que a levou até a
casa de um casal de missionários que por mais de 20 anos trabalhava com
povo suruwahá.
Esse casal logo percebeu que Hakani
estava terrivelmente desnutrida e muito doente. Com cinco anos de idade
ela pesava 7 quilos e media apenas 69 centímetros. Eles começaram a
cuidar de Hakani como se ela fosse sua própria filha. Eles cuidaram dela
por um tempo na floresta, mas sabiam que sem tratamento médico ela
morreria. Para salvar sua vida, eles pediram ao governo permissão para
levá-la para a cidade.
Em apenas seis meses recebendo
amor, cuidados e tratamento médico, Hakani começou a andar e falar.
Aquele sorriso radiante voltou a iluminar seu rosto. Em um ano seu peso e
sua altura simplesmente dobraram. Hoje Hakani tem 12 anos, adora dançar
e desenhar. Sua voz, antes abafada e quase silenciada, hoje canta bem
alto – uma voz pela vida.
Um filme foi feito sobre essa história,
dirigido por David Cunningham, filho do fundador da JOCUM, uma
organização missionária norte-americana, mas uma crise surgiu quando a
ONG Survival International, sediada em Londres, divulgou uma nota em que
acusa os autores do filme de incitar o ódio racial contra os índios
brasileiros.
AÇÕES DIRETAS SOBRE O ASSUNTO
O infanticídio entre indígenas é um tema
que já gerou documentários, projetos de leis e muita polêmica em torno
de saúde pública, cultura, religião e legislação, mesmo assim, é ainda
utilizado por volta de 20 etnias entre as mais de 200 do Brasil.
A quantidade de índios mortos por
infanticídio no país é uma incógnita. Nos dados da Funasa (Fundação
Nacional de Saúde) sobre mortalidade infantil indígena, esse número
aparece somado a óbitos causados por “lesões, envenenamento e outras
consequências de causas externas”. Esse grupo responde por 0,4% do total
das mortes de menores de um ano de idade, segundo os últimos dados
disponíveis da Funasa, de 2006
Tramitando no Congresso, a Lei Muwaji
(em homenagem à índia que enfrentou a tribo para salvar sua filha com
paralisia cerebral) estabelece que “qualquer pessoa” que saiba de casos
de uma criança em situação de risco e não informe às autoridades
responderá por crime de omissão de socorro. A pena vai de um a seis
meses de detenção ou multa.
A proposta é polêmica entre índios e não
índios. Há quem argumente que o infanticídio é parte da cultura
indígena. Outros afirmam que o direito à vida, previsto no artigo 5º da
Constituição, está acima de qualquer questão.
Segundo a FUNAI (Fundação Nacional do
Índio) está de acôrdo com essa prática, em nome do respeito à “cultura
indígena” e uma vez que o próprio governo, a quem a FUNAI serve, quer
legalizar o aborto
no Brasil, compreende-se que a FUNAI seja a favor do infanticídio em
nome do “respeito à cultura indígena”, pois o aborto é simplesmente
infanticídio pré-natal.
Infantícidio nas comunidades indígenas do Brasil
Enquanto faltam dados confiáveis, muitas
das mortes por infanticídio são mascaradas nos dados estatísticos como
morte por desnutrição ou causas inespecíficas.
Um dos primeiros desafios na erradicação
do infanticídio é o levantamento de dados confiáveis. A tendência do
governo é tentar minimizar o problema. Para o coordenador de assuntos
externos da FUNAI, Michel Blanco Maia e Souza, os casos de infanticídio
não merecem maior atenção do governo. “Não temos esses números, mas
acredito que sejam casos isolados.”
Com base no Censo Demográfico de 2000,
pesquisadores do IBGE constataram que para cada mil crianças indígenas
nascidas vivas, 51,4 morreram antes de completar um ano de vida,
enquanto no mesmo período, a população não-indígena apresentou taxa de
mortalidade de 22,9 crianças por cada mil. A taxa de mortalidade
infantil entre índios e não-índios registrou diferença de 124%. O
Ministério da Saúde informou, também em 2000, que a mortalidade infantil
indígena chegou a 74,6 mortes nos primeiros 12 meses de vida.
Curiosamente, nas notícias do IBGE e do Ministério da Saúde não há
qualquer explicação da causa mortis.
Muitas das mortes por infanticídio vêm
mascaradas nos dados oficiais como morte por desnutrição ou por outras
causas misteriosas (causas mal definidas – 12,5%, causas externas –
2,3%, outras causas – 2,3%).
Segundo a pesquisa de Rachel Alcântara,
da UNB, só no Parque Xingu são assassinadas cerca de 30 crianças todos
os anos. E de acordo com o levantamento feito pelo médico sanitarista
Marcos Pellegrini, que até 2006 coordenava as ações do DSEI-Yanomami, em
Roraima, 98 crianças indígenas foram assassinadas pelas mães em 2004.
Em 2003 foram 68, fazendo dessa prática cultural a principal causa de
mortalidade entre os yanomami.
A prática do infanticídio tem sido
registrada em diversas etnias, entre elas estão os uaiuai, bororo,
mehinaco, tapirapé, ticuna, amondaua, uru-eu-uau-uau, suruwaha, deni,
jarawara, jaminawa, waurá, kuikuro, kamayurá, parintintin, yanomami,
paracanã e kajabi.
“Não existem dados precisos… O
pouco que se sabe sobre esse assunto provém de fontes como missões
religiosas, estudos antropológicos ou algum coordenador de posto de
Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) que repassa as informações
para a imprensa, antes que elas sejam enviadas ao Ministério da Saúde e
lá se transformem em “mortes por causas mal definidas” ou “externas”.
Marcelo Santos, em “Bebês Indígenas Marcados para Morrer” (Revista
Problemas Brasileiros, SESC-SP, maio-junho/2007)
Pois bem, já vi este vídeo inúmeras
vezes, mas, fico cada vez mais perplexo ao ponto de onde chega uma
tradição cultural. Terminarei este post, com os mesmos dizeres que
terminei o anterior:
NÓS NÃO SOMOS OS MELHORES, MAS, QUANDO NECESSÁRIO, SOMOS OS PIORES.
Fiquem na paz e se cuidem.
Fabiano MadDog
[UPDATE] [UPDATE] [UPDATE] [UPDATE] [UPDATE]!!!
O leitor Iago deu maiores informações sobre o caso da menina Hakani. Segue abaixo, transcrito Ipsis Litteris:MAIS DETALHES DO CASO HAKANI
Mais detalhes sobre o caso hakani Ela tem anemia falciforme, foi dado
aos pais a missão de matar a filha (Hakani) com o timbó mas eles mesmo
tomaram o timbó, a missão foi dado ao filho mais velho a matar a menina
com um golpe na cabeça mas ele ficou com pena e deu um golpe fraco e
depois a enterrou, durante a noite com pena ele foi e resgatou a irmã,
foi a vez do avô que desferiu uma flechada mas acertou o ombro, ele se
sentiu culpado e se matou.Hakani então viveu como um animal na tribo comendo restos até que um casal de pesquisadores chegou a tribo e com a permissão do lider tribal trouxe hakani a belém., Isso causou revoltas alguns afirmavam ser etnocídio uma cultura querendo se impor a outra, e quase o fizeram devolver hakani para a sua aldeia.
Hakani só não foi devolvida porque na mesma epoca surgiu um caso no Acré de dois gemeos albinos nascidos numa aldeia acreditava que a mãe manteve relações com o verme do coco por isso nasceram os dois, enfim fizeram devolver os dois albinos para a aldeia e no mesmo dia que eles chegaram o mataram, enterrando eles de cabeça para baixo num formigueiro de saúvas, tucandeira, formiga bala…