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27 de ago. de 2011

Os mistérios de netuno



Em 1846, foi descoberto o oitavo planeta do sistema solar, nomeado Netuno em homenagem ao deus romano dos mares. Mais de 160 anos depois da descoberta, conhecemos o planeta com muito mais detalhes, e sabemos que ele é colorido por um profundo oceano azul, com manchas brancas atravessando todas as nuvens.
Junto de Urano, Netuno é classificado como um gigante de gelo – é um planeta muito grande, com quatro vezes o diâmetro da Terra. Netuno tem uma espessa atmosfera de hidrogênio e hélio em sua maior parte, e tem água, amônia e outras substâncias em menores proporções.
Netuno está a bilhões de quilômetros de distância do sol, cerca de 30 vezes mais longe do sol do que a Terra. Ou seja, estudar esse planeta gelado não é nada fácil. Netuno está à beira da nossa capacidade de detecção com telescópios terrestres.
O único olhar mais próximo que já tivemos de Netuno foi ao final dos anos 80, com a nave Voyager 2. A investigação feita com essa nave espacial nos revelou muitos dos mistérios do planeta – e nos trouxe novas questões a desvendar – que você confere abaixo:

Atmosfera hiperativa

Os astrônomos esperavam que Netuno fosse um mundo chato, sem grandes diferenças de tempo – apenas mais um planeta gelado e pacato. Mas, ao invés, disso, a nave Voyager mostrou que Netuno tem uma atmosfera turbulenta, com ondulações mais leves de nuvens e tempestades violentas – incluindo a Grande Mancha Escura, que tinha quase o tamanho da Terra.
Os ventos mais rápidos já registrados no sistema solar ocorreram em Netuno, com cerca de 2,1 mil quilômetros por hora.
O que conduz essa atividade meteorológica colossal parece ser o calor interno de Netuno, que possivelmente é mais quente do que Urano. Relativamente falando, é claro, pois os planetas gelados estão na faixa de -215°C.
O que fornece as fontes de calor de Netuno possivelmente inclui os restos de calor interno da formação do planeta e a decadência de elementos radioativos.

Anéis fracos

Netuno, assim como os planetas gigantes Júpiter, Saturno e Urano, tem um sistema de anéis. Mas ao invés de estruturas semelhantes com bambolês, os anéis são pedaços tênues e empoeirados.

Por serem fracos e pouco visíveis, acreditava-se que eles eram incompletos, o que foi desmentido por imagens da nave Voyager. Influências gravitacionais das pequenas luas podem causar a irregularidade dos anéis.

Campo magnético descentralizado

Quando a Voyager 2 detectou um campo magnético singular em Urano, os astrônomos acreditaram que isso tinha acontecido porque um corpo teria colidido com o planeta, embaralhando sua produção de campo magnético.
No entanto, quando a Voyager 2 mediu o campo magnético de Netuno, eles perceberam que ela também se originava longe do coração do planeta, e não se alinhava com a rotação planetária, como outros campos magnéticos conhecidos fazem.
Ninguém esperava que esses campos magnéticos deslocados do centro do planeta seriam inclinados a ângulos loucos, pelo menos em nossa visão terrestre.
A melhor teoria proposta é a de que o campo magnético não é gerado no núcleo de Netuno, como é na Terra, Júpiter e outros planetas. Em vez disso, o campo emana de uma camada eletricamente condutora entre o núcleo e a superfície.

Lua do contra

Das 13 luas de Netuno, Tritão é de longe a maior, e a única grande o suficiente para ser esférica. O mais estranho é que Tritão tem uma órbita “do contra”, que gira na direção oposta das outras luas e do próprio planeta. Além disso, a órbita tem um ângulo atípico para satélites.
Essas características sugerem que Tritão não se formou em torno de Saturno. Ao invés disso, a gravidade do planeta deve ter capturado a lua rebelde, que deve ter pertencido ao cinturão de Kuiper. Tritão também tem um intrigante terreno irregular, com textura parecida com a de um melão.