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8 de jan de 2013

Distúrbios no Médio Oriente


Distúrbios no Médio Oriente: É a mesma política e o mesmo manual que foi usado nas décadas de 1930 e 40 em toda a Europa 



Rory Suchet - Vamos passar a directo com Zurique, para discutir a  situação no Médio Oriente, com Anthony Wile, fundador e editor chefe do site político thedailybell.com. Como ouvimos há momentos, o coronel Kadafi agora está a culpar o líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, de incentivar a revolta na Líbia. Acha que pode haver alguma verdade nessas afirmações? 

Anthony Wile - Bem, suponho que isso depende no quanto acredita no facto de Osama bin Laden ainda estar hoje vivo. É algo conveniente Kadafi dizer, pois parece encaixar-se muito bem com o que eu chamaria as linhas gerais dos planos e da propaganda em geral da, elite no poder ao longo das últimas décadas. O terrorismo em geral é algo óptimo para o ocidente usar como um meio para fomentar o caos constante e, portanto, uma razão de ser, por assim dizer, de se intrometer nos assuntos das sociedades  do Médio Oriente.

R.S. - Então, sugere que é propaganda quando o coronel Kadafi afirma "É a Al-Qaeda, é Osama Bin Laden, que está por trás de todas estas revoltas"?

A.W. - Bem, acho que o fascismo islâmico, em geral, é um tema propagado por toda a mídia ocidental e algo que continuará a crescer em audibilidade nos mídia nas sociedades ocidentais como um meio para continuar a gerar entusiasmo, para um esforço contínuo de tentar esmagar este inimigo, ou como quiser defini-lo, e a actual guerra no Iraque, assim como no Afeganistão, deixou uma Al-Qaida em apuros que é um pouco menos atraente quando se trata de ser capaz de manter a atenção dos media. Então, o fomento de uma revolução em vários estados islâmicos, é possívelmente um meio para criar um inimigo permanente através do qual haverá o meio e a necessidade dos poderes ocidentais comungarem e aplicarem a força e soluções.

R.S. - Quando fala sobre esses estados islâmicos, há preocupações, no Ocidente, que os fundamentalistas radicais cheguem ao poder na parte do mundo árabe que está actualmente com violência, protestos e agitação. Considera esse medo válido?

A.W. - Bem, acho que é um medo muito válido de que esse tema continuará a ser apregoado bastante agressivamente e talvez seja o caso, existe uma grande ligação há várias décadas com o Wahhabismo saudita e vários dos líderes e pessoas que estão envolvidos hoje nestas revoluções supostamente democráticas são filhos dessa escola de pensamento a qual tem profundas ligações ao mundo anglo-saxão e às mãos que estão por trás de diversas organizações internacionais que, francamente, são consistentes na capacidade de criar o caos e, em seguida, transferir o poder dos diversos Estados-Nação para si mesmos e para as organizações internacionais.

R.S. – É interessante, quando fala em criar o caos e fazer uma transferência de poder, algumas potências ocidentais têm vindo a fornecer armas aos líderes de guerras regionais enredados nos conflitos, mas ao mesmo tempo pedindo paz, pedindo democracia, o que é que isto lhe diz sobre as políticas ocidentais no Médio Oriente e Norte de África?

A.W. - Isso diz-me que o manual é velho e rançoso. É a mesma política e o mesmo manual que foi usado, por exemplo, nas décadas de 1930 e 40 em toda a Europa, onde ambos os lados da batalha eram financiados por interesses industriais e monetários semelhantes e não acho que tenha mudado muita coisa nos dias de hoje. As estruturas de poder que existem para o controlo das massas, exigem um caos por meio do qual fomentam as soluções que podem ser entregues pelos poderes instituídos. Então, não acho que seja um jogo novo, acho que é apenas uma continuação e, francamente, uma continuação embaraçosamente enfadonha de assistir nesta era da Internet, porque penso que somos capazes de dissecar esses intentos com muito maior precisão e habilidade. Pessoas de todo o mundo, incluindo o Médio Oriente, conseguem aceder a vários sítios de internet e são capazes de descobrir exactamente mas que raio está a acontecer, e que é um jogo antigo.

R.S. - Vamos falar sobre o magnata do petróleo, coronel Kadafi, e o facto de estar no poder há 34 anos, supostamente com uma fortuna no valor de 70 mil milhões de dólares em bancos em todo o mundo. Se, e quando ele for derrubado, irá o poder ocidental, que tem clamado por democracia este tempo todo, ficar na posse da sua fortuna? 

A.W. - Bem, é de conhecimento comum que as suas contas foram congeladas, ele não tem acesso aos fundos e este também é um velho jogo, existem outros 50 ou 60 diferentes ditadores estrangeiros, ou como os preferir chamar, têm contas aqui na Suíça que foram congeladas nas últimas décadas, e esses fundos ficam nos cofres dos bancos e nunca são recuperados porque os novos ditadores ou novos regimes são, francamente,  tão corruptos como os antigos. E o que vemos agora no Médio Oriente, provavelmente não é uma mudança real num sentido positivo, que realmente traz benefícios para as pessoas, mas mais do mesmo, na minha opinião é uma reorganização dos móveis na mesma casa. Então, penso que o dinheiro é irrelevante. A quantidade de papel-moeda que foi depositado por essas pessoas em diferentes contas, ou se é ou não apenas uma fracção de toda a fortuna dessas pessoas, quem é que sabe ou quem é que diz? A conclusão é que no final do dia, a corrupção provavelmente continuará em prejuízo do povo do Médio Oriente que está envolvido numa revolução que, provavelmente, não tem um grande fundamento por trás.

R.S. - Quando fala nas revoluções que estão a acontecer no Médio  Oriente, no Norte de África, acha que a democracia pode funcionar nessa região? Se olharmos para o Iraque, por exemplo, invadido pelos EUA em 2003, oito anos passaram e milhares protestam nas ruas contra o governo. Poderá uma democracia ocidental funcionar naquela região?

A.W. - Primeiro, porque é que desejaria isso? A democracia ocidental, no seu estado actual, está longe do que considero ser algo que devemos desejar em qualquer desses países. Acho que se vai haver democracia, deveria ser democracia com uma mudança real e uma mudança que reflecte uma democracia que realmente beneficia o povo. A democracia de hoje não é nada mais do que um mecanismo de controlo das massas, através da qual a grande maioria do público, que não pensa, está emocionalmente envolvida em situações, que nem sequer percebe realmente o que é que está a votar ou aprovar. E se acha que a democracia, que supostamente é o que os EUA estão lá fora a empurrar e dirigir para este povo que tanto precisa da filosofia que foi desenvolvida e construída nos EUA, por exemplo, veja o que estão a fazer, construíram bases em mais de cem países diferentes, basicamente colocando a palavra democracia na ponta da arma e empurrando-lhes pela garganta abaixo. Para mim, isso não é democracia, isso é um abuso, isso não é nada mais do que um sistema condenado ao fracasso e, enquanto os bancos centrais continuarem de mão dada num sistema democrático, como o que temos, com a impressão de quantidades infinitas de dinheiro fiduciário que desvaloriza a cada minuto, não vamos ter algo mais do que o caos que é usado para mascarar esse processo de desvalorização e esperançosamente distrair as pessoas da fraude generalizada que foi perpetrada nas sociedades ocidentais. Se isso é democracia, quem quer isso?

R.S. - Então, diria que a democracia ocidental, ou quando o oeste clama por democracia, está, na verdade, a fazer mais mal do que bem, é só para irritar a população das regiões que estão a afectar?

A.W. - Absolutamente, se perguntar às pessoas que estão nestas regiões, naquelas praças, cantando pela democracia, para defini-la tenho certeza de que iria receber muitas versões diferentes nenhuma das quais seria igual. A democracia actual é outro tema social dominante que foi tecido, as pessoas regurgitam-no, como regurgitam o aquecimento global e outros temas dominantes, sem sequer pensar ou compreender do que é que estão a falar, portanto, para mim sim, acho que a democracia soa bem, parece óptimo, mas a base do que é e as acções reais que a democracia ou os líderes da democracia fazem hoje são ocas, vazias e desprovidas de moral.

R.S. - Fala sobre a democracia ocidental que, no essencial, como está a dizer, é mais uma ferramenta de propaganda, pois sabemos que os bancos e a indústria de defesa estão ombro com ombro em Washington DC. Mas, derrubar líderes é, muitas vezes, apenas a primeira etapa de uma revolução, acha que os exemplos da Tunisia e do Egipto poderiam desencorajar outras nações do mundo árabe a revoltarem-se?

A.W. - Isso não sei. É difícil dizer, neste momento é uma revolução, se formos usar esse termo, orientada pelas emoções, acho que não irá parar por aqui, penso que vai continuar, acho que é no melhor interesse da elite que controla as organizações internacionais verem que temos estados-nação nos quais existe caos e incerteza contínua, para que uma solução global, que naturalmente será fornecida por estas maravilhosas organizações internacionais, seja adoptada e isso faz parte da caminhada vigorosa, na minha opinião, para um sistema de ordem mundial de governação, bem como de controlo monetário e financeiro, que gira à volta da intrusão e domínio, por assim dizer, anglo-saxão, isto há vários anos, várias décadas, antes mesmo disso, remontando à guerra civil nos EUA, por exemplo, criando eles próprios os conflitos para aparecerem do outro lado e tentar encontrar soluções. Não sei porque haveríamos de suspeitar que isto irá parar, acho que vai continuar, pelo menos o esforço das potências ocidentais vai continuar para que isso aconteça. A mudança potencial no jogo é a internet onde mais e mais pessoas podem perceber que estão a lutar realmente em favor das causas que estão a tentar eliminar, precisamente as forças do mal ás quais não querem estar submetidas, se perceberem isso talvez não tenham uma revolução ou pelo menos não uma com a cor actual que estão a ter, vamos colocar dessa maneira.

R.S. - Anthony Wile fundador e editor chefe do site político thedailybell.com, obrigado.

http://www.youtube.com/watch?v=0vAiLHEFXNI

Ver também
O que é a Nova Ordem Mundial?
http://acordem.com/blog/14651/ 


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