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12 de dez de 2012

"Canta Brasil"!.... Músicas e sucessos pra você!




"Não sei se o mundo é bão, mas ele está melhor desde que você chegou"

Nando Reis tem no seu repertório muitas canções autobiográficas. Fez diversas homenagens a amigos, amores e filhos. Quero destacar, aqui, uma delas, que está certamente entre as músicas mais bonitas de Nando Reis: Espatódea, gravada em 2006 em homenagem à sua filha Zoé. 
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Para quem não sabe, a espatódea (ou melhor, espatódia) é uma planta que dá flores de cor laranja... e dessa cor surgiu a canção-título em homenagem à sua filha. 
Para contar a história dessa canção, é preciso fazer uma prévia referência à música "O mundo é bão, Sebastião", gravado por Nando em 2005, no seu disco MTV ao vivo em homenagem a seu filho Sebastião.
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Nando Reis, Sebastião e Zoé
Quando, em 2006, Nando iria gravar seu próximo disco, foi cobrado por sua filha Zoé, então com cerca de 5 anos, que questionou o pai: Quando é que você vai fazer a música ‘O mundo é bão, Zoézinha’? Nando contou essa história numa entrevista à revista Istoé Gente, em 29/05/2006:  
A Zoé é muito esperta. Um dia ela chegou para mim e falou: “Quando é que você vai fazer a música ‘O mundo é bão, Zoézinha’?” (ele havia feito uma música para o irmão mais velho dela, ‘O mundo é bão, Sebastião!’). Eu dei uma enrolada mas ela não caiu. Daí fiz essa música (‘Espatódea’). Diferente dos outros filhos, há em nosso caso uma peculiaridade: ela é ruiva. E a música aborda esse nosso laço. ‘Espatódea’ é uma árvore que dá uma flor laranja. Zoé tem um laranja intenso porque é toda branquinha. 
A música, sem qualquer elemento percussivo, é delicada e manda recados explícitos: tem a cor, a flor, e a cara... e o "minha cara" pode ter tanto a acepção de alguém que é semelhante a ele ( a única filha ruiva), mas ao mesmo tempo, de "minha querida".
"Quarta estrela" por ser sua quarta filha, e três letras pelo seu nome: Zoé. E logo em seguida, fazendo uma referência ao "mundo é bão, Sebastião", desta vez ele não afirma, mas duvida. Não sabe se o mundo é "bão", mas é certo que ficou melhor com a presença da filha, que chegou no mundo e buscou seu lugar....
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Em seguida, após novas referências, à pele branca sem sardas, ao gineceu (referência ao feminino na flor - pra quem não sabe, gineceu é o conjunto de órgãos reprodutores femininos de uma flor), ele conclui, na mesma toada, também não saber se o mundo está são, mas também já nao o fosse quando ele, o eu-lírico veio ao mundo. 
Mas o fato é que esse novo ser veio dar nova razão à vida do eu-lírico, razão daquelas que somente um filho pode te dar.  
A letra:  
Minha cor
Minha flor
Minha cara

Quarta estrela
Letras, três
Uma estrada

Não sei se o mundo é bom
Mas ele está melhor
desde que você chegou
E perguntou:
Tem lugar pra mim?

Espatódea
Gineceu
Cor de pólen

Sol do dia
Nuvem branca
Sem sardas

Não sei se esse mundo é bom
Mas ele está melhor
Porque que você chegou
E explicou o mundo pra mim

Não sei se esse mundo está são
Mas pro mundo que eu vim já não era
Meu mundo não teria razão
Se não fosse a Zoé


Fonte: http://www.terra.com.br/istoegente/353/entrevista/index.htm

"Bandeira Branca", com Dalva de Oliveira. A última marchinha de carnaval

Num determinado momento da história do carnaval do Rio de Janeiro, as marchinhas de carnaval foram substituídas pelos sambas-enredo. Costuma-se dizer que a história das marchinhas começa com "Abre-alas", de Chiquinha Gonzaga, em 1899, e termina com a conhecida "Bandeira Branca", de Max Nunes e Laércio Alves, que foi não só a última marchinha de carnaval que fez grande sucesso, mas também o último sucesso de uma das maiores cantoras brasileiras de todos os tempos: Dalva de Oliveira. 
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As marchinhas, diferente das músicas carnavalescas que as substituíram (embora, nos carnavais, elas continuem eternamente entre as mais executadas), ultrapassavam os limites das meras canções de amor, pois tratavam de política, costumes, e tinham, muitas vezes, uma dose de humor politicamente incoirreto que não permitiria que tais músicas fossem aprovadas nos enfadonhos tempos atuais.  
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Interessante que a primeira grande marchinha fosse um "abre-alas" para um ritmo que dominaria o carnaval durante 70 anos, e a última, "bandeira branca", uma música triste, em tom menor, em que o eu-lírico se rende, pede paz, em nome da saudade de um grande amor. É até um paradoxo que tenha se tornado um grande sucesso de carnaval. Quem sabe um prenúncio, um presságio...
Um epílogo para a carreira de sucesso de Dalva de Oliveira, e o capítulo derradeiro do domínio das marchinhas de carnaval...

Bethania e sua única participação em Festivais (Beira-Mar, de Gil e Caetano)

Poucos sabem, mas antes do célebre festival da Record em 1967 (que inspirou o belo documentário Uma noite em 67), Caetano e Gil inscreveram uma música para o I Festival Internacional da Canção (FIC), em 1966, inscrevendo a música  "Beira-Mar", uma parceria entre os dois. 
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A música foi defendida por Maria Bethania (sua única participação em festivais). É uma bela música, bem regional, com tema Caymmiano e influência da bossa-nova, com muitos acordes dissonantes e um jeito de cantar que não é tido como "música de festival". A música não foi classificada entre as melhores.

Bethania, numa entrevista para o Pasquim em 1969 (que já referi em outra postagem, http://musicaemprosa.musicblog.com.br/265526/O-Pasquim-e-Maria-Bethania-em-1969/) falou de sua experiência no festival: 
  
O Pasquim – Porque você não participa dos festivais?
Bethânia – Eu só participei de um, que foi o I Festival Internacional da Canção, e não suportei. Me irritou porque cantei uma música linda, chamada Beira-Mar, do Caetano e do Gil, uma música muito bonita, não fui vaiada nem nada, fui até aplaudida, naquele tempo não havia vaia, todo mundo adorou, Eliana Pitman era júri...
Blog de musicaemprosa : Música em Prosa, Bethania e sua única participação em Festivais (Beira-Mar, de Gil e Caetano)O Pasquim – Essa é uma crítica construtiva ou destrutiva?
Bethânia – Construtiva pro festival, pra ter mais cuidado. Quando terminou o show, minha música foi desclassificada, estava indo embora assim meio "relax", o Ronaldo Bôscoli, que comandava o festival e na época era meu inimigo...
Blog de musicaemprosa : Música em Prosa, Bethania e sua única participação em Festivais (Beira-Mar, de Gil e Caetano)O Pasquim – E hoje o que ele é seu?
Bethânia – Ah, é meu amigo íntimo, de cama e mesa. Mas o Ronaldo virou-se para o grupo que estava comigo e comentou: desta vez os baianos entraram bem. Disse aquilo com um certo ódio, aquilo me irritou. Sabe o que o júri falou com o Gil e o Caetano? Que a música realmente era linda, podia ganhar. Que eles todos votaram, deram dez de cara, foi muito defendida, o arranjo do Luizinho Eça era maravilhoso, mas tinha uma coisa que eles não gostaram: a letra dizia que não havia um mar mais bonito que o da Bahia, mais azul do que o da Bahia. Então, eles disseram pra mim, pro Caetano o seguinte: vocês conhecem Cabo Frio, como é que vocês falam isso? Então, eu fiquei naquela: como é?
Blog de musicaemprosa : Música em Prosa, Bethania e sua única participação em Festivais (Beira-Mar, de Gil e Caetano)O Pasquim – Mas quem foi que disse isto?
Bethânia – Foi o Menescal. Dando risada, assim muito charmoso, mas ele falou a verdade, não deu nota por causa disso.
Blog de musicaemprosa : Música em Prosa, Bethania e sua única participação em Festivais (Beira-Mar, de Gil e Caetano)O Pasquim – E você nunca mais quis participar de festival por causa disso?
Bethânia – E depois foram acontecendo aquelas vaias, aquela falta de respeito, eu acho uma coisa terrível. Eu não posso entender um Roberto Carlos maravilhoso, um cantor excelente como ele é, um cara tão bacana, tão querido por todo o Brasil, de repente ser vaiado.
 
No disco Unplugged, Gilberto Gil resgatou a bela gravação de Beira-mar... Caetano fez a primeira parte da letra, e Gil a completou... uma poesia...
 
Na terra em que o mar não bate
Não bate o meu coração
O mar onde o céu flutua
Onde morre o sol e a lua
E acaba o caminho do chão
Nasci numa onda verde
Na espuma me batizei
Vim trazido numa rede
Na areia me enterrarei
Na areia me enterrarei
Ou então nasci na palma
Palha da palma no chão
Tenho a alma de água clara
Meu braço espalhado em praia
Meu braço espalhado em praia
E o mar na palma da mão
No cais, na beira do cais
Senti meu primeiro amor
E num cais que era só cais
Somente mar ao redor
Somente mar ao redor
Mas o mar não é todo mar
Mar que em todo o mundo exista
Ou melhor, é o mar do mundo
De um certo ponto de vista
De onde só se avista o mar
E a Ilha de Itaparica
A Bahia é que é o cais
A praia, a beira, a espuma
E a Bahia só tem uma
Costa clara, litoral
Costa clara, litoral
É por isso que é o azul
Cor de minha devoção
Não qualquer azul, azul
De qualquer céu, qualquer dia
O azul de qualquer poesia
De samba tirado em vão
É o azul que a gente fita
No azul do mar da Bahia
É a cor que lá principia
E que habita em meu coração
E que habita em meu coração
E que habita em meu coração

Tá?

Você faria uma música com as palavras cortadas, suprimindo delas a sílaba final? Foi assim que nasceu a bela e criativa música "Ta?", uma letra de Carlos Rennó para músicas de Pedro Luís e Roberta Sá, e gravada originalmente por Mariana Aydar.
A letra, na sua primeira estrofe, já diz ao que vem. "Pra bom entendedor meia palavra bas-", omitindo o "ta" da última palavra, regra que se repete nas outras estrofes e versos, sempre com a omissão da última sílaba, que não por coincidência, é o "ta".
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Mariana Aydar, numa entrevista, contou um pouco como surgiu a canção:    
Na verdade, foi no meu segundo CD,  ”Peixes Pássaros Pessoas”. Eu tinha encomendado uma letra para o Rennó, queria que falasse da nossa condição humana, de quanto o homem é um bicho difícil! E o Rennó acertou em cheio e deu a letra para Pedro e Roberta musicarem. Foi uma grata surpresa na hora em que ouvi!  Achei incrível como a melodia e a letra se fundiram. É uma música que tenho muito carinho e sempre canto nos shows. Acho o Pedro um compositor raro, sempre quis gravar algo dele, todos os discos eu pedia uma música".
E o "Tá?" do título, que pode ser uma contração do verbo estar, brinca com as palavras, fala do homem sem dizer seu nome, afinal, pra bom entendedor meia palavra basta. E a letra ganha sua criatividade justamente pelas sílabas que omite, pelo "ta" implícito em cada verso...
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E o ritmo, meio regional, meio experimental, com um toque de baião, dá a personalidade definitiva a essa música criativa com mensagem ecológica...
A letra: 
Pra bom entendedor, meia palavra bas-
Eu vou denunciar a sua ação nefas-
Você amarga o mar, desflora a flores-
Por onde você passa, o ar você empes-

Não tem medida a sua ação imediatis-
Não tem limite o seu sonho consumis-
Você deixou na mata uma ferida expos-
Você descora as cores dos corais na cos-
Você aquece a Terra e enriquece à cus-
Do roubo, do futuro e da beleza augus-


Mas do que vale tal riqueza? Grande bos-
Parece que de neto seu você não gos-
Você decreta a morte, a vida ainda em vis-
Você declara guerra à paz por mais bem quis-
Não há em toda fauna um animal tão bes-
Mas já tem gente vendo que você não pres-

Não vou dizer seu nome porque me desgas-
Pra bom entendedor, meia palavra bas-
Não vou dizer seu nome porque me desgas-
Pra bom entendedor, meia palavra bas-
Bom entendedor, meia palavra bas-
Bom entendedor, meia palavra bas-
Pra bom entendedor, meia palavra bas-


Fonte: http://garotafm.com.br/2012/03/15/mariana-aydar-divide-noite-de-lancamento-com-pedro-luis-acho-o-pedro-um-compositor-raro/

Esperando na janela

O forró clássico, tradicional, à moda de Luiz Gonzaga, tem algo de nostálgico, inocente... os ritmos juninos fazem a malícia ficar mais singela no friozinho aquecido pelas fogueiras de São João.  Com as festas juninas, parece que a canção de amor em ritmo de xote é mais singela, a saudade do baião é mais intensa, a alegria do xaxado é mais pura.
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Não é por acaso que no mês de junho termina sendo inevitável falar de Forró, e com o forró falar um pouco daquela música de Targino Gondim que virou um clássico instantâneo na voz de Gilberto Gil: Esperando na janela. 
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Targino Gondim é pernambucano, nascido em Salgueiro, e criado músico em Juazeiro, pois começou a tocar sanfona desde os 12 anos, e sua inspiração, óbvia, era Luiz Gonzaga.  
E foi inspirado em Gonzagão que surgiu seu maior sucesso, a música "esperando na Janela", cuja história ele contou numa entrevista: 
Esperando na Janela foi feita em agosto de 1998, enquanto eu tomava banho. Estava cantarolando uma música de Luiz Gonzaga e me veio a inspiração.  Completei a composição com versos de meus parceiros, Manuca e Raimundo do Arcodeon. Essa música está gravada no disco de 1999 e coincidiu com as filmagens de Eu, Tu, Eles, que acontecia em Juazeiro. Fui fazer um teste para participar do filme e o diretor me cortou, dizendo que eu não tinha cara de sanfoneiro, mas um dia estava fazendo um forró e os artistas foram lá e a Regina Case me reconheceu. Eles começaram a pedir músicas de Luiz Gonzaga e eu aproveitei para tocar também Esperando na Janela, que acabou virando a trilha sonora e carro-chefe do filme.
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A música tem todas as receitas de um forró típico de São joão: uma certa nostalgia, uma idealização da pessoa amada, a saudade do jeito, no cheiro, da mulher que não vem, mas cuja saudade faz com que ele vá atrás dela e vá declarar seu sentimento. 
Uma canção singela, que, na hora certa, e impulsionada pela gravação de Gilberto Gil,  virou história.... A letra:   
Ainda me lembro do seu caminhar
Seu jeito de olhar eu me lembro bem
Fico querendo sentir o seu cheiro
É da daquele jeito que ela tem
O tempo todo eu fico feito tonto
Sempre procurando mais ela não vem
E esse aperto no fundo do peito
Desses que o sujeito não pode aguentar
E esse aperto aumenta o meu desejo
E eu nao vejo a hora de poder lhe falar

Por isso eu vou na casa dela
Falar do meu amor pra ela vai
Tá me esperando na janela
Não sei se vou me segurar


Pra Ninguém - As homenagens de Caetano (parte 2) - Resposta a Chico/ Reverência a João


Caetano Veloso tem seus paradoxos. Ele é assumidamente vaidoso, mas, ao mesmo tempo, é capaz de manifestar sua admiração por tanta gente. Assim como Chico em 1993, Caetano fez sua homenagem. Só que em vez de chamá-la Paratodos, deu-lhe o nome de pra ninguém"

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Assim, desde já, a música é uma homenagem/resposta a Chico. E na canção, ele não apenas homenageia os artistas, mas suas interpretações. Veja o que ele disse no blog que manteve, o Obra em Progresso:
 Às vezes penso que minha profissão tem sido perseguir Chico Buarque. Mas é uma perseguição amorosa.  E tem dado tão bons resultados já faz tanto tempo, que desta vez, ao contrário do que aconteceu com "Você não entende nada" — música que nomeei "Sem açúcar" (parafraseando "Com açúcar, com afeto") porque à época julgavam haver entre nós uma rivalidade reles —, não temi pôr o nome "Pra ninguém" na canção que, como o "Paratodos" de Chico, lista virtudes de colegas. Chorei tanto quando Chico, em sua casa, me mostrou "Paratodos", que estava certo de nunca fazer nada para macular esse sentimento. 
E aí vem a letra:
Nana (Caymmi) cantando "nesse mesmo lugar"
Tim Maia cantando "arrastão"
Bethânia cantando "a primeira manhã"
Djavan cantando "drão"
Chico (Buarque) cantando "exaltação à mangueira"
Paulinho (da Viola), "sonho de um carnaval"
Gal (Costa) cantando "candeias"
E Elis (Regina), "como nossos pais"
Elba (Ramalho) cantando "de volta pra o aconchego"
Sílvio (Caldas) cantando "mulher"
E Elisete (Cardoso) cantando "chega de mágoa"
Carmen (Miranda) cantando "adeus batucada"
Gilberto (Gil) cantando "sobre todas as coisas"
Cauby (Peixoto) cantando "camarim"
Orlando (Silva) cantando "faixa de cetim"
Milton (Nascimento), "o que será?"
Roberto (Carlos) , "a madrasta"
(João) Bosco, "Rio de Janeiro"
E Dalva (de Oliveira), "poeira do chão"
Nara (Leão) cantando "diz que fui por aí"
Marisa (Monte), "a menina dança"
Aracy (de Almeida) cantando "a camisa amarela"
Amélia (Rabello), "boêmio"
Max (dos Titãs), "polícia"
Nora (Ney) , "menino grande"
Dolores (Duran), "não se avexe não"
 Caetano fala um pouco dessa canção:
 "Pra ninguém" surgiu — sem título — a partir da vontade irresistível de mencionar a gravação de Nana de "Nesse mesmo lugar" e, quase ao mesmo tempo, a de "Arrastão" por Tim Maia. Começou-se a insinuar uma lista que eu julgava impossível de pôr em música à medida em que ia fazendo exatamente isso. O título se impôs, apesar dos resquícios de supercuidado, porque ele, além de ecoar "Alguém cantando" ( "como que pra ninguém..." ), evidenciava o critério de eleições intransferivelmente pessoais, o que fazia da canção uma espécie de "festa íntima da música".


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Percebe-se que Caetano viaja numa lista maior, e que dá mais espaço a quem surgiu na música brasileira depois dele, ao contrário de Chico. E Chico homenageia de cara seu mestre Tom Jobim, Caetano homenageia João no final, quando diz: "Melhor do que isso só mesmo o silêncio/Melhor do que o silêncio só João"
 Vale reparar que nenhum dos cantores é compositor da música que canta, e então a música termina sendo uma homenagem à arte de cantar.
 E novamente, na mesma passagem, a referência a João:
 “Já ‘Pra ninguém’ é uma meditação sobre o mistério do cantar (não se cita ninguém cantando nada de sua própria autoria) e do ouvir cantar. E é uma avaliação extra-técnica e supra-crítica que, no entanto, conclui com a colocação crítica e tecnicamente correta de João Gilberto em seu posto. É o João Gilberto de quem sempre emanam idéias para repertório e para tratamento de material, das quais sempre se bebe sem sempre se dar o devido crédito”. 
 Eu aprendi a gostar de “Pra ninguém” aos pouquinhos... mais devagar do que “Paratodos”... mas são duas belas homenagens...

Taí

Pensar que o autor do primeiro grande sucesso de Carmen Miranda foi Joubert de Carvalho já parece imporovável. Joubert não era compositor de marchinhas carnavalescas, tanto que a sua segunda música mais conhecida, já objeto de postagem  neste blog, é "Maringá", música que, inclusive, deu origem à cidade paranaense de mesmo nome. 
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A composição mais conhecida de Joubert, no entanto, ficou conhecida não pelo seu título original "Pra você gostar de mim", mas como o simples e indefectífel "Taí". Ainda hoje, mais de 80 anos após a primeira gravação, se alguém lançar a primeira palavra da canção, "Taí", vem imediatamente "eu fiz tudo pra você gostar de mim/ai meu deus não faz assim comigo não/você tem, você tem que me dar seu coração"  
E Taí foi feito sob encomenda para Carmen Miranda. Segundo relata Ruy Castro, na biografia que escreveu sobre a cantora(Cia das Letras, 2005), Joubert passava pela rua quando o Sr. Abreu, gerente da loja “A Melodia”, o chamara com o intuito de fazê-lo ouvir um disco que acabara de sair. A canção era “Triste Jandaia”, da então desconhecida Carmen Miranda. Depois de tocar o disco várias vezes, não é que a própria Carmen, em pessoa, aparece na loja? Quando Abreu exclama: “Taí a nova cantora!”.
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Apresentados, Joubert falou de seu interesse em compor algo para Carmen, que prontamente lhe deu o endereço.
Joubert saiu da loja com uma palavra – “Taí” – e uma melodia na cabeça. Menos de 24 horas depois, com a partitura debaixo do braço, tocou a campainha de Carmen na travessa do comércio.
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Nas palavras do próprio Joubert, no vídeo que acompanha esta postagem: 
Eu passava pela Rua do ouvidor ali tinha uma casa de música e melodias e o gerente da casa chamou-me e disse Joubert venha ouvir uma cantora nova aqui; ele botou então um disco da Carmen, eu não sabia quem era, eu notei que havia presença no disco, e eu disse:
- Olha, Abreu eu gostaria de fazer uma música para essa cantora, ela interpreta miuito bem.
- Ué, isso é fácil!
- Onde é que ela mora?
- Ela costuma vir aqui de vez em quando, mas eu falo ela deixa o endereço.
De repente ele (Abreu) disse assim:
- Taí, ó, ela tai chegando.
Eu não sei, aquele tai ficou na minha cabeça e no dia seguinte eu levava para ela a música...  
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Relata Ruy Castro, no seu livro, que Carmen a aprendeu a música prontamente, e, quando Joubert tentou orientar sua interpretação, ela disse, com um brilho no olhar:

“Não precisa me ensinar, não, que na hora da bossa, eu entro com a boçalidade.” 
E, captando um certo choque no rosto do educado Joubert, logo se corrigiu:
“Desculpe, mas eu sou assim mesmo, meio desabrida!”
Tudo isso ocorreu no começo de 1930, e a música Taí tornou-se não apenas um grande sucesso daquele ano, mas também do carnaval seguinte. Foi a música que tornou Carmen Miranda conhecida nacionalmente. O resto é história. 

Taí, eu fiz tudo pra você gostar de mim
Oh! meu bem, não faz assim comigo não!
Você tem, você tem que me dar seu coração!

Meu amor, não posso esquecer
Se dá alegria faz também sofrer
A minha vida foi sempre assim
Só chorando as mágoas que não têm fim

Essa história de gostar de alguém
já é mania que as pessoas têm
Se me ajudasse Nosso Senhor
eu não pensaria mais no amor 


Novos baianos. Besta é tu!

Quem começa a tocar violão aprende logo o refrão desse samba dos Novos Baianos... apenas duas notas: "besta é tu, besta é tu ... não viver nesse mundo, se não há outro mundo..."
Essa simplicidade harmônica do refrão não se repete no restante da música, cheia de acordes dissonantes. Galvão, autor da letra (em parceria com Moraes Moreira, autor da música), disse que lembrou-se de que o pessoal chama de besta é tu o som tirado por aqueles que aprendem violão, e não saem de duas notas.
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E assim como a melodia sai das duas notas para sequências mais rebuscadas, Galvão, no livro que escreveu para os Novoa Baianos (Anos 70, Novos e Baianos, Ed. 34), conta a história da música:
"“Besta É Tu” é um dos sambas nossos que entrou para o repertório das rodas de bares onde o pessoal batuca na mesa, na caixa de fósforo e, ás vezes, aparece uma turma munida de instrumentos do gênero, como bombo, tamborim, violão e cavaquinho. O nome veio justamente porque eu lembrei que o pessoal chama de besta é tu, besta é tu, besta é tu... A letra reage contra um pensamento importado, que já se desenvolvia entre a juventude e com admiração de certa ala de esquerda, que o fazia em protesto contra a ditadura, sob o comando de Médici, que, ao mesmo tempo que se tornava o maior repressor desse período sem liberdade, projetava uma imagem de popular e que torcia pelos populares clubes do país. Flamengo no Rio, em São Paulo ele era Corinthians, em Minas, Galo, Bahia na Bahia, Inter em Porto Alegre, Veneza em Juazeiro e Dario, o peito de aço, o seu ídolo. O pessoal daquela juventude era só onda e já se começava a ouvir: “Futebol, não. Onze caras correndo atrás de uma bola. Que futilidade é futebol”.
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Novos Baianos veio para dar um corte nessa pretensão. Como podíamos admitir que se tratasse a bola dessa maneira? Ela, como diz Pelé, exige carinho. Logo futebol que é saúde, lazer, antitóxico e ópio do povo. Fizemos a juventude de Ipanema ver diferente (....)
A música, olhando pela curiosidade romântica, nasceu para uma filha de Vinícius de Moraes que, no momento, representava para mim a garota do Rio, o desejo de baiano de namorar uma carioca; ou, se forem buscar reforço na psicologia, poderão dizer que era possível ser a minha paixão poética pela poesia e a vida de Vinícius. A paixão pela filha do ídolo. O bom é que, ao mesmo tempo que nos apaixonávamos, sabíamos do nosso charme e a carioca gostou da brincadeira no fecho da música, e o carioca levou numa boa. Na esportiva.
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A música é de uma alegria só, um elogio não só das coisas simples da vida, mas também uma visão singela do Rio de Janeiro no olhar de um baiano, passando, desde  o Maracanã lotado até até a morena do Rio que passa na rua e faz valer cada olhar, com a picardia que Galvão se refere ao trecho da canção "Mas isso é só porque ela se derrete toda só porque eu sou baiano".
Um samba gravado em 1972 pelos Novos Baianos. Um samba eterno. Como o futebol e a morena do Rio. 

Gentileza - Marisa Monte. O profeta e os muros pichados que inspiraram a canção.

Existe uma figura lendária, que andava pelas ruas do Rio de Janeiro, até seu falecimento, em 1996, aos 79 anos. Trata-se do "Profeta Gentlieza", um andarilho que era visto em ruas, praças, nas barcas da travessia entre as cidades do Rio de Janeiro e Niterói, em trens e ônibus, fazendo sua pregação e levando palavras de amor, bondade e respeito pelo próximo e pela natureza a todos que cruzassem seu caminho. Sua frase mais conhecida: "Gentileza gera Gentileza" 
A partir da década de 80, o "Profeta Gentileza" escolheu 56 pilastras do Viaduto do Caju, no Rio de Janeiro, e a preencheu com diversas inscrições em verde-amarelo, que ressaltavam sua visão de mundo. Tratava-se de um verdadeiro ponto turísitico com a fiolosofia do andarilho. 

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Só que os escritos do profeta Gentileza foram depredados, não só por pichadores, mas pelo próprio poder público. E aí Marisa monte conta de que maneira a canção Gentileza foi composta: (http://www.formspring.me/mmprocuresaber

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Uma vez, estava passando pela área do Cais do Porto aqui no Rio com meu amigo Carlinhos Brown. Como ele não é do Rio, eu quis mostrar pra ele algo especial da minha cidade que eu sabia que ele ia gostar.

Foi quando eu procurei nos pilares do Viaduto do Caju, os escritos do Gentileza, figura que me fascinava e que eu conhecia desde a infância.

Qual não foi minha decepção quando vi que eles haviam sido apagados pela cia. de limpeza urbana do Rio. Fiquei desolada pensando nos inúmeros significados desse ato numa metrópole como o Rio. O legado do Profeta Gentileza havia desaparecido pra sempre.

Na mesma noite, compus "Gentileza". "Apagaram tudo, pintaram tudo de cinza..."

Minha voz se uniu a muitas outras e, hoje, graças ao trabalho do Prof. Leonardo Gelman da ONG Rio Com Gentileza, a obra do Profeta está linda, restaurada e faz parte do inventário afetivo da cidade.
A inspiração da canção, e o belo resultado em decorrência. 
 
Apagaram tudo,
pintaram tudo de cinza.
A palavra no muro
ficou coberta de tinta.

Apagaram tudo,
pintaram tudo de cinza.
Só ficou no muro
tristeza e tinta fresca

Nós que passamos apressados
pelas ruas da cidade,
merecemos ler as letras
e as palavras de Gentileza.

Por isso eu pergunto
à você no mundo,
Se é mais inteligente
o livro ou a sabedoria.

O mundo é uma escola.
A vida é o circo.
“Amor” palavra que liberta,
já dizia o Profeta.”
 

Billie Jean. Motown 25

Na postagem anterior, comentei a participação dos Jackson 5 no especial Motown 25: Yesterday, Today and Forever, quando eles se reuniram pela primeira vez na sua formação original após Jermaine ter deixado o grupo.  Mas há, em seguida, uma apresentação que consagrou definitivamente Michael Jackson como maior astro pop mundial, que foi sua apresentação individual, logo em seguida, na qual cantou Bille Jean. 
Mas há algumas infiormações sobre os bastidores de tal participação, relatadas por J. Randy Taraborelli, na biografia que escreveu sobre Michael Jackson (Ed. Globo, 2005).
As relações entre Berry Gordy Jr. (dono da Motown) e a familia Jackson não era das melhores. A Motown reservou para si o nome Jackson 5, e ainda incentivou Jermaine Jackson (casado com a filha de Berry) a deixar o grupo. Além disso, Michael não queria participar do especial, pois não gostava de suas apresentações na televisão. Por essa e outras razões, relutava em participar do especial.
Foi convencido pessoalmente por Berry, pois, a despeito das brigas, ele sentia muita gratidão por Berry, e os bons tempos do início de sua carreira. Acabou cedendo, sob uma condição: teria que fazer um número solo, exigência que Berry concordou imediatamente.
Porém, em seguida, Michael exigiu que sua aprtesentação fosse da música Billie Jean. Berry inicialmente objetou, dizendo que a música não tinha sido gravada pela Motown, e não tinha sentido apresentá-la num especial da gravadora. Só que Michael disse que se não pudesse cantar Billie Jean, não iria se apresentar.
Cumpre ressaltar que, na época, Billie Jean estava entre as 10 mais, mas ainda não tinha atingido a hecatombe de sucesso que veio a seguir.
Berry, ainda relutante, aceitou a exigência, além de que Michael exigiu que queria fazer a edição final do vídeo.
Após a apresentação do Jackson 5, Michael disse que gostava dos bons e dos velhos tempos, que adorava as músicas que cantou, dirigiu-se ao canto do palco, pegou um chapéu de feltro (ele disse que queria um chapéu estiloso, tipo de espião), e começou a cantar em playback a canção. Foi a primeira vez que Michal cantou Billie Jean para uma plateia.
O público estava em êxtase, de pé, e Michael fez uma apresentação espetacular, com seu giro e a primeira vez em que ele executou o passo conhecido como Moonwalk, em que ele desliza para trás com os pés. 
A apresentação, vista por mais de 50 milhões de pessoas na TV, fez com que Michael roubasse completamente o show, recebeu todo tipo de parabéns e congratulações, foi efusivamente abraçado pelos seus irmãos, e Billie Jean, claro, decolou para incrtementar o sucesso que já fazia. Uma apresentação que fica para a história.   

O nego e eu? (de João Cavalcanti por Roberta Sá). Um Passeio por Chico, Gil, Caetano e Caymmi

"Que menina é aquela, que entrou na roda agora? Ela tem um remelexo que valha-me Deus Nossa Senhora" Essa frase é da músia Remelexo, de Caetano Veloso e gravada por Simonal na década de 60. Essa mulher, aquela que seduz a todos com sua dança e o requebrado dos seua quadris é cantada e decantada sobretudo pelo samba da Bahia...
Francisco Bosco, num belo ensaio que fez sobre Caymmi na série "Folha Explica", faz uma referência às mulheres dos seus sambas:
"Trata-se de um rebolado gracioso, a um tempo sensual e discreto, extremamente feminino, poderoso e consciente do seu poder, mas como que brejeiro, delicado, sutil."
No entanto, há poucas notícias dessas mulheres como o eu-lírico de uma canção. E aí vem o mérito de uma das músicas que se destaca no mais recente álbum de Roberta Sá, chamado Segunda Pele: É a música "O nego e eu", composta por João Cavalcanti, do Casuarina
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Não por coincidência, O nego e eu é o único samba de um disco que tem uma toada mais pop, e que, segundo o próprio sítio deigital de Roberta Sá, entrou no disco depois que o repertório já estava inicialmente definido. 
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Essa entrada posterior certamente se deve ao fato de que Roberta, nesse trabalho mais recente, pretende mostrar-se como mais do que uma cantora vinculada ao samba. Ela mesmo disse que o samba estava ficando"óbvio" para ela. Por isso havia uma certa relutância em incluí-la no disco, mas, como dito no site, "a importância do estilo musical na sua história e a conexão com os fãs falaram mais alto".
E, mais adiante:
A ideia era gravar uma resposta ao samba "Sou eu", composto por Chico Buarque para Diogo Nogueira. "Desde que eu escutei essa música, falei: eu quero uma resposta, porque a mulher também pode ir para o baile. Cadê o ponto de vista dessa mulher, que vai para o baile, deixa tudo, mas que prefere o homem dela?".
Pediu a música a João, que compôs "O nego e eu"
Pra quem não sabe, "Sou eu" é uma canção de Chico em que o homem se enciúma com o rebolado de sua mulher, mas que, ao final da noite, será ele, o eu-lírico, que vai levá-la pra casa. 
Então surge a versão da mulher, daquela mulher típica dos sambas que gosta de dançar e enfeitiçar os homens, gosta de sentir-se desejada, como se o desejo alheio fosse o combustível para animar o eu-lírico feminino. 
Mas aí, assim como Gil, na canção "Sandra", o eu-lírico feminino tem sua torre, amarrada à qual ela dá pra ver o mundo inteiro, a torre na qual ela dá o salto no alto da montanha, e que é só balançar, que a corda o leva de volta para ela... 
E quem é essa torre? O "nego", aquele que ela prefere após ser desejada por todos, aquele, que, mesmo com ci
João Cavalcanti,  o compositor da sua música, tratou um pouco da história da canção: 
"É uma ficção não tão ficicional porque acontece pra cacete, isto é, da mulher que 'abre o pavão' na noite, no baile, na gafieira, e que na verdade é apaixonada e dedicada a seu marido" 
Assim, é uma bela homenagem a essa mulher que habita muitos desejos,  e que para a própria Roberta, é comos e fosse  sua própria relação com o gênero musical. "Para mim, tem muito a ver com a minha história com o samba, o nego sendo o samba. Posso flertar com outros ritmos, posso experimentar outras coisas, mas só tem sentido o nego e eu".
A letra: 
Gosto de ser vista pelas festas, ser seguida pelas frestas,
Protagonista do sonho alheio.
Gosto de deixar pelos lugares um punhado de olhares
Incendiados no fogo que ateio
Gosto que me vejam por inteira. gosto de solar na gafieira.
Gosto se me sinto desejada, mas eu levo a madrugada pra mim.
Porque gosto mais é do chamego e dos beijos do meu nego no fim.


O nego, o nego, o nego e eu.
Ele é o grande amigo que o destino concedeu.
Só tem sentido o nego e eu.


Ele não é dado pra ciúme,
Mas encabulado assume que prefere até que eu não vá.
Digo que meu jogo se resume a um rastro de perfume
Que eu deixo nos ares de lá.
Gosto que me vejam por inteira.
Gosto de solar na gafieira.
Gosto se me sinto desejada,
Mas eu levo a madrugada pra mim.
Porque gosto mais é do chamego
E dos beijos do meu nego no fim.


O nego, o nego, o nego e eu.
Ele é o grande amigo que o destino concedeu.
Só tem sentido o nego e eu.



O ouro afunda no mar, madeira fica por cima, ostra nasce do lodo, gerando pérolas finas

Muito se falou sobre a morte do sambista Ederaldo Gentil, ocorrida no último dia 30 de março. Muito pode ser dito sobre a trajetória e suas composições, mas fico aqui com a maior delas, "O Ouro e a Madeira", de 1975.
Blog de musicaemprosa : Música em Prosa, O ouro afunda no mar, madeira fica por cima, ostra nasce do lodo, gerando pérolas finas
A música é uma ovação à simplicidade, em que o eu-lírico demonstra preferência explícita pelo que é singelo em vez daquilo que é grandioso. Por essa razão, prefere ser a fonte ao mar, o orvalho à chuva, o momento à vida, a canção ao concerto...
E a partir daí, encontra sua justificativa maior. Afinal, embora se valorize mais o ouro do que a madeira, o ouro afunda no mar, e a madeira fica por cima... enfim, ele prefere ser feliz sendo simples, diz um não à ambição, que pode levar ao sucesso, mas que não tem sustentação.

Por fim, diz justamente que as pérolas finas são geradas por ostras que nascem do lodo... novamente recorre ao simples, ao que é menos valorizado, mas que é mais verdadeiro. 
Ederaldo Gentil deixará muita saudade. A ele, seu maior sucesso... e suas canções, que se não foram o ouro que afunda no mar, são as pérolas que incrustadas na madeira, permanecerão...

A letra:
Não queria ser o mar
me bastava a fonte
Muito menos ser a rosa
simplesmente o espinho
Não queria ser caminho
porém o atalho
Muito menos ser a chuva
apenas o orvalho

Não queria ser o dia
só a alvorada
Muito menos ser o campo
me bastava o grão
Não queria ser a vida
porém o momento
Muito menos ser concerto
apenas a canção

O ouro afunda no mar
Madeira fica por cima
Ostra nasce do lodo
Gerando pérolas finas