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11 de dez de 2012

"Canta Brasil"... Músicas e sucessos


Maria Mole - Rita Lee

Imagine-se naqueles dias em que você não quer fazer nada. Quer ficar deitado na cama, na preguiça, sem fazer nada, nenhum movimento mais brusco, não quer fazer força nem pra soltar "pum"... esse é o mote da canção "Maria Mole", gravada por Rita Lee no seu disco homônimo de 1979. 
A música já se inicia com um bocejo, e imediatamente Rita, num ritmo lento e cadenciado, começa a narrar a "Maria-Mole" que não tem força nem energia para fazer nada...  
A preguiça só é deixada de lado quando ela encontra seu namorado, o "Rocambole", pois o que Maria Mole gosta de fazer mesmo é namorar, derretida de paixão, e quando eles se beijam eles se engolem...
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A cena que vem à mente é Maria Mole de preguiça, na cama, com o namorado, sem energia para fazer nada senão namorar... é quase um convite a ficar o dia inteiro na preguiça com quem se gosta....  
Lenga-lenga Maria
Mole só pra disfarçar
Trabalho que é bom nenhum,
Não faz força nem pra soltar pum! Pum?
Lero-lero, blá blá blá
Tira o dedo do nariz
Melecada de chiclets,
Nunca rapa a perna com giletes! Giletes?

Dengo-dengo Maria
Gosta só de namorar
Derretida de paixão
Lambuzada de sabão
E o namorado dela é o rocambole
E quando eles se beijam os dois se engolem
Fazendo assim: Maria Mole, Maria Mole!
Oh, oh Maria Mole...


Maninha. Chico Buarque.

Por trás de uma bela canção, existem muitos símbolos e significados. Uma delas é Maninha, de Chico Buarque, gravada em 1977.As peculiaridades estão contidas no livro Chico Buarque: História das canções (Leya, 2009), organizada por Wagner Homem 

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Primeiro, representou um fim do boicote da Rede Globo a Chico Buarque. Isso porque Chico inicialmente aceitara participar, em 1971, do VI  Festival Internacional da Canção, promovido pela Globo. Chico, entre outros autores consagrados, ficaria dispensado das das eliminatórias. Nas palavras de Homem, "Poucos dias antes do início do festival,divulgaram, através do Pasquim, um manifesto retirando suas inscrições emsinal de protesto contra a censura e a tentativa de utilizar o festival comoveículo de propaganda a serviço da ditadura. Os insurretos foram proibidos em todos os programas da Rede Globo, mas em pouco tempoo veto foi levantado. Menos para Chico". 
 Em 1977, Maninha entrou na trilha sonora da novela Espelho Mágico. 
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Segundo: Chico Buarque afirmou que maninha "é uma canção zangada disfarçada de delicadeza, falando deuma infância imaginária". É zangada pois, mesmo falando das questões bucólicas e nostálgicas de uma infância, afirma que tudo mudou depois que "Ele" chegou. 
Quem seria "Ele"? Até Tom Jobim brincava dizendo: "Ele! Ele! Ele é o general". Chico, todavia, afirmou no documentário "Vai passar", que o "ele" nmão era a personificação de ninguém. "Ele" seria a própria situação, a ditadura. 

Terceiro. A letra faz um monte de referências a situações de infância. As fogueiras, os balões, a jaqueira, a fruta no capim, a assombração no porão... Vinícius brincava, dizendo que "é tudo mentira, tudo mentira. Não tinha jaqueira nenhuma, não tinha balão".

Quarto. A canção foi composta para sua irmã Miúcha gravar, No entanto, Chico sempre assegurou que a "maninha" da letra não era sua irmã, mas uma forma de tratamento carinhosa, assim como "iaiá" ou "querida"."

Quinto. "As estrelas salpicadas nas canções" é uma clara referência à música "Chão de Estrelas", parceria de Orestes Barbosa e Sílvio Caldas, de 1937,,,  
A letra: 
Se lembra da fogueira
Se lembra dos balões
Se lembra dos luares dos sertões
A roupa no varal, feriado nacional
E as estrelas salpicadas nas canções
Se lembra quando toda modinha falava de amor
pois nunca mais cantei, oh maninha
Depois que ele chegou
Se lembra da jaqueira
A fruta no capim
Dos sonhos que você contou pra mim
Os passos no porão, lembra da assombração
E das almas com perfume de jasmim
Se lembra do jardim, oh maninha
Coberto de flor
Pois hoje só dá erva daninha
No chão que ele pisou
Se lembra do futuro
Que a gente combinou
Eu era tão criança e ainda sou
Querendo acreditar que o dia vai raiar
Só porque uma cantiga anunciou
Mas não me deixe assim, tão sozinha
A me torturar
Que um dia ele vai embora, maninha
Prá nunca mais voltar...

Fonte: Homem, Wagner Histórias de canções : Chico Buarque / Wagner Homem. -- São Paulo : Leya, 2009

Rita Lee Arrombou a festa - Parte 2

Em 1977, quase como uma ironia à famosa canção de Roberto Carlos "Festa de Arromba", Rita Lee  em 1977, numa parceria com Paulo Coelho, gravou Arrombou a Festa, uma musica que ironiza e revela as contradições daquilo que se convencionou chamar de MPB.Já fiz a postagem dessa primeira versão aqui:
Blog de musicaemprosa : Música em Prosa, Rita Lee Arrombou a festa -  Parte 2
Fiquei devendo, todavia, a segunda parte, a segunda versão de Arrombou a Festa, um rock & roool, assim como a primeira versão, mas com um andamento mais acelerado, em que novamente faz piadas, homenagens e ironias da música brasileira da época.  
Começa Rita logo brincando com a onda disco que invadiu o Brasil no fim da década de 70 (época de Dancin' Days), brincando com as novas estrelas instantâneas: Miss Lene (que não se chamava Lenilda)  e Lady Zu (que era, de fato, batizada como Zuleide), brinca com o samba de Alcione e fafá de belém (e seu famoso busto avantajado), e ao já veterano Cauby Peixoto (que mostra que a música não mudou tanto assim).
Blog de musicaemprosa : Música em Prosa, Rita Lee Arrombou a festa -  Parte 2
Em seguida, Rita brinca com Sidney Magal ("cigano de araque, fabricado até o pescoço"), e que rebola mais do que o Ney Matogrosso. Brinca com o gosto de Chico por bebida, fazendo uma ironia com a música "Cálice", que seja trocada por um Möet Chandon.
Rita reafirma que, em 1980, sucesso fora do Brasil era mesmo Carmen Miranda, e brinca com sua nova repetição... para, em seguida, entrar as músicas incidentais de Roberto Carlos (Lady Laura), Sidney Magal (Sandra Rosa Madalena), Freak Out (com uma versão em português da onda disco)  .
 a letra: 
Ai, ai meu Deus
O que foi que aconteceu
Com a música popular brasileira
Quando a gente fala mal
A turma toda cai de pau
Dizendo que esse papo é besteira

Na onda discothéque da
América do Sul
Lenilda é miss Lene
Zuleide é Lady Zu
Pra defender o samba
Contrataram Alcione
É boa de pistom mas
Bota a boca no trambone

No meio disso tudo
A Fafá vem dar um jeito
Além de muita voz
Ela também tem muito peito
E a música parece
Brincadeira de garoto
Pois quando ligo o rádio
Ouço até Cauby Peixoto
Cantando: Conceição

Ai, ai meu Deus
O que foi que aconteceu
Com a música popular brasileira
Quando a gente fala mal
A turma toda cai de pau
Dizendo que esse papo é besteira

O Sidney Magal rebola mais
Que o Matogrosso
Cigano de araque
Fabricado até o pescoço
E o Chico na piscina
Grita logo pro garçom
Afaste esse cálice e
Me traz Moet Chandon

Com tanto brasileiro por aí
Metido a bamba
Sucesso no estrangeiro
Ainda é Carmem Miranda
E a Rita Lee parece que
Não vai sair mais dessa
Pois pra fazer sucesso
Arrombou de novo a festa!

Ziri, ziriguidum
Skindô, skindô lelê
Sai da frente que eu quero é comer

A música popular brasileira
Lady Laura
A música popular...
Parabéns a você
Parabéns para a música popular...

A música popular
Ah, eu te amo
Ah, eu te amo meu amor
Ai, Sandra Rosa Madalena
Ah, ah, ah, ah
O meu sangue ferve pela
Música popular...

Oh, fricote, eu fiz xixi
Fricote eu fiz xixi
Na Música Popular Brasileira

Corre que lá vem os "homi"!

Caetano, o trio elétrico e o Carnaval da Bahia em 1972

Em fevereiro de 1972. No mês anterior, Caetano retornaria do exílio em Londres. O Brasil ainda vivia anos de chumbo da sua ditadura militar. Logo após seu retorno, ele deu uma entrevista à revista Bondinho, que atualmente faz parte de uma coletânea muito interessante de entrevistas recentemente publicadas pela editora Azougue.
Blog de musicaemprosa : Música em Prosa, Caetano, o trio elétrico e o Carnaval da Bahia em 1972
E nessa entrevista ele fala do carnaval da Bahia, numa análise que, em certa medida, parece atual 40 anos depois:
"Desde 1949, na Bahia, existe uma nova forma de carnaval, criada pelos trios elétricos. Essa foi uma solução estética que o povo de Salvador encontrou para continuar se manifestando ativamente".
Logo em seguida, Caetano faz uma referência a Dodô e Osmar, e a um estilo e uma estática de pular carnaval própria dos baianos. 
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"O primeiro cara que fez o trio elétrico, de certa forma, inventou a guitarra elétrica, que já existia nos Estados Unidos mas não existia no Brasil. O primeiro trio elétrico saiu com uma guitarra feita por um cara lá na Bahia. Isso é uma loucura, entende? Quero dizer o seguinte: que a forma do trio elétrico, que veio dos anos 40 até hoje criou um estilo de tocar, um estilo de brincar na rua, criou um estilo de marcha de carnaval".
Mais adiante, ele argumentou que esse estilo carnavalesco se contrapõe ao estilo melancólico do carnaval do Rio. 
E impediu que o carnaval se transformasse nessa coisa triste que é o carnaval do Rio, essa coisa ainda bonita, mas melancólica: exatamente a conservação do passado; o carnaval do Rio, que você pode até pagar pra ver - mas que as pessoas de hoje não vivem hoje, entende? E o trio elétrico na bahia solucionou esse problema saudavelmente". 

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Vem primeiro o elogio, para em seguida vir a crítica: 
"Eu gostaria que o carnaval da Bahia, em vez de se tornar um ponto de atração turística, ele se tornasse um exemplo de solução estética, de expressão do povo brasileiro, um exemplo de saúde criativa. Eu não me nego a fazer propaganda do carnaval da Bahia, enquanto ele existe como tal. Ainda que daqui a cinco anos ele morra turistizado, Deus o livre e guarde, eu espero que, pelo menos, ele sirva de exemplo para outras coisas, como modelo de solução, de resposta do povo. 
Quarenta anos depois, de tanto ser turistizado, o carnaval da Bahia e seu modelo estético encontram-se em crise.  Uma crise anunciada. Muitos pedem de volta o "velho" carnaval, mas dá para sentir falta da espontaneidade e do exemplo de saúde criativa....

Rita Lee Arrombou a festa - Parte 2

Em 1977, quase como uma ironia à famosa canção de Roberto Carlos "Festa de Arromba", Rita Lee  em 1977, numa parceria com Paulo Coelho, gravou Arrombou a Festa, uma musica que ironiza e revela as contradições daquilo que se convencionou chamar de MPB.Já fiz a postagem dessa primeira versão aqui:
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Fiquei devendo, todavia, a segunda parte, a segunda versão de Arrombou a Festa, um rock & roool, assim como a primeira versão, mas com um andamento mais acelerado, em que novamente faz piadas, homenagens e ironias da música brasileira da época.  
Começa Rita logo brincando com a onda disco que invadiu o Brasil no fim da década de 70 (época de Dancin' Days), brincando com as novas estrelas instantâneas: Miss Lene (que não se chamava Lenilda)  e Lady Zu (que era, de fato, batizada como Zuleide), brinca com o samba de Alcione e fafá de belém (e seu famoso busto avantajado), e ao já veterano Cauby Peixoto (que mostra que a música não mudou tanto assim).
Blog de musicaemprosa : Música em Prosa, Rita Lee Arrombou a festa -  Parte 2
Em seguida, Rita brinca com Sidney Magal ("cigano de araque, fabricado até o pescoço"), e que rebola mais do que o Ney Matogrosso. Brinca com o gosto de Chico por bebida, fazendo uma ironia com a música "Cálice", que seja trocada por um Möet Chandon.
Rita reafirma que, em 1980, sucesso fora do Brasil era mesmo Carmen Miranda, e brinca com sua nova repetição... para, em seguida, entrar as músicas incidentais de Roberto Carlos (Lady Laura), Sidney Magal (Sandra Rosa Madalena), Freak Out (com uma versão em português da onda disco)  .
 a letra: 
Ai, ai meu Deus
O que foi que aconteceu
Com a música popular brasileira
Quando a gente fala mal
A turma toda cai de pau
Dizendo que esse papo é besteira

Na onda discothéque da
América do Sul
Lenilda é miss Lene
Zuleide é Lady Zu
Pra defender o samba
Contrataram Alcione
É boa de pistom mas
Bota a boca no trambone

No meio disso tudo
A Fafá vem dar um jeito
Além de muita voz
Ela também tem muito peito
E a música parece
Brincadeira de garoto
Pois quando ligo o rádio
Ouço até Cauby Peixoto
Cantando: Conceição

Ai, ai meu Deus
O que foi que aconteceu
Com a música popular brasileira
Quando a gente fala mal
A turma toda cai de pau
Dizendo que esse papo é besteira

O Sidney Magal rebola mais
Que o Matogrosso
Cigano de araque
Fabricado até o pescoço
E o Chico na piscina
Grita logo pro garçom
Afaste esse cálice e
Me traz Moet Chandon

Com tanto brasileiro por aí
Metido a bamba
Sucesso no estrangeiro
Ainda é Carmem Miranda
E a Rita Lee parece que
Não vai sair mais dessa
Pois pra fazer sucesso
Arrombou de novo a festa!

Ziri, ziriguidum
Skindô, skindô lelê
Sai da frente que eu quero é comer

A música popular brasileira
Lady Laura
A música popular...
Parabéns a você
Parabéns para a música popular...

A música popular
Ah, eu te amo
Ah, eu te amo meu amor
Ai, Sandra Rosa Madalena
Ah, ah, ah, ah
O meu sangue ferve pela
Música popular...

Oh, fricote, eu fiz xixi
Fricote eu fiz xixi
Na Música Popular Brasileira

Corre que lá vem os "homi"!

Mulata Bossa-Nova

Quase 40 anos depois, quase todo mundo conhece a famosa marchnha de carnaval, com uma letra curtíssima e de fácil assimilação:
Mulata Bossa Nova
Caiu no Hully Gully
E só dá ela.
Iê, Iê, Iê, Iê, Iê, Iê
Na passarela.
A boneca está
Cheia de fiu-fiu,
Esnobando as louras
E as morenas do Brasil.

Blog de musicaemprosa : Música em Prosa, Mulata Bossa-Nova
O que poucos sabem é que a "Mulata bossa nova" era Vera Lúcia Couto que, no ano  de 1964, recebera o título de Miss Guanabara. Segundo o blog Passarela Cultural, em 04 de julho de 1964 foi realizado o Miss Brasil 64, no qual Vera Lúcia ficou em segundo lugar. 
Uma das pessoas presentes no Maracanãzinho era  João Roberto Kelly, carioca, 26 anos, pianista, compositor e produtor musical. Inspirado no andar da enão Miss Guanabara, João Roberto Kelly compôs uma marchinha que, gravada na voz de Emilinha Borba (1922-2005), foi o  maior sucesso do carnaval brasileiro de 1965. 
Blog de musicaemprosa : Música em Prosa, Mulata Bossa-Nova
No Livro "História Sexual da MPB", de Rodrigo Faour, consta o depoimento de José Roberto Kelly sobree a canção: 
“Essa foi uma das minhas deusas do carnaval”, conta João Roberto Kelly. “Foi realmente a Vera Lúcia Couto que me inspirou quando a assisti no concurso de misses. Ao vê-la desfilar, senti que ela tinha um tom, uma maneira de andar diferente para época. Ela dava um ‘pião’, uma rodada na passarela que me encantava, me emocionava muito. Ela tinha uma sofisticação maior do que teria uma mulata passista de uma escola de samba qualquer. E como estava entrando na moda nessa época o iê iê iê, ela acabou batizada assim, porque era de um estilo diferente, novo”, explica ele, que mostrou esta música para Emilinha Borba no intervalo de um programa de auditório da TV Rio. “Ela estava cercada de fãs, era um domingo. E assim que terminei, aqueles fãs dela todos começaram a cantar juntos a marchinha”, lembra o sempre bem-humorado compositor.
E a marchinha foi o grande sucesso do carnaval de 1965... e até hoje...
Blog de musicaemprosa : Música em Prosa, Mulata Bossa-Nova
http://passarelacultural.blogspot.com.br/2011/02/de-alagoas-para-o-mundo_

Maria Bethania homenageia Dalva de Oliveira

No último dia 30 de agosto foram-se 40 anos que morreu uma das maiores cantoras brasileira de todos os tempos: Dalva de Oliveira. Num país de pouca memória, Dalva representa uma das mais belas vozes já ouvidas na música brasileira, que inspirou muitas das grandes cantoras do Brasil, entre elas, Maria Bethânia.
Blog de musicaemprosa : Música em Prosa, Maria Bethania homenageia Dalva de Oliveira
Essa homenagem revela o quanto Dalva era capaz de inspirar, e inspirou Bethania, indiscutivelmente uma das maiores damas da MPB. Noutra entrevista, Bethania revela sua paixão por Dalva: 
" De onde vem minha paixão por dalva é de santo Amaro eu menina ouvindo na rádio e depois em vitrola, radiola, aqueles discos enorme, eu ficava horas ouvindo dalva cantando. Eu tenho essa memória muito forte"
Para se ter ideia, em 1977, Bethânia, no seu disco pássaro da manhã, gravou a canção "Há um Deus", de Lupicínio Rodrigues e gravada por Dalva. E bem ao estilo de Bethania, de entremear música e poesia, música e prosa, antes de cantar a música, ela faz a homenagem à "estrela Dalva"
Toda vez que eu faço um espetáculo de teatro,
um show de teatro,
eu tenho um repertório que obedeço desde a estreia
até o último dia da temporada.
E, normalmente quando volto para minha casa, nos meus dias de folga,
eu sempre me pego no violão tocando músicas
não incluídas no repertório de cena.
Normalmente são músicas muito românticas, muito apaixonadas,apenas ligadas ao coração.
E essas músicas sempre me são lembradas através de gravações 
da extraordinária Dalva de Oliveira.
A Dalva tinha a coragem e o jeito
de cantar no palco, 
o que até então eu só tinha coragem e jeito
de cantar dentro da minha casa.

E começa a canção. Uma bela homenagem...

Tarde. Milton e Marcio Borges. Em 50 minutos.

"Tarde" é uma das muitas parcerias de Márcio Borges com Milton Nascimento, comnhecido como "Bituca". Poucos sabem que essa música foi composta num programa de televisão, em menos de uma hora, e com uma frase de encomenda. 
Quem conta a hiostória é Márcio Borges, no seu conhecido livro "Os sonhos não envelhecem: Histórias do Clube da Esquina (Geração Editorial)" 
Blog de musicaemprosa : Música em Prosa, tarde. Milton e Marcio Borges. Em 50 minutos (p. 192)
"Era o programa de Randal Juliano, que trinha um quadro destinado a promover novos compositores. No início do programa o convidade (ou convidados, se fossem parceiros) sorteava uma frase, a qual deveria aparecer necessariamente numa música a ser criada em cionquenta minutos, nos bastidores. Ao final do programa, o convidado voltaria e apresentaria a composição ao vivo. 
Lá estávamos eu e Bituca diante das câmeras e de um pequeno auditório superlotado. O apresentador oficial estava adoentado e seu substituto era o cantor Wilson Simonal. Este nos apresentou ao público e nos apresentou uma porção de envelopes lacrados, para que escolhêssemos um. Simonbal abriu o envelope indicado por nós:
- O tema é... "NÃO PEÇO MAIS PERDÃO"
Eu e Bituca nos retiramos para uma sala de produlção. Recorremos a velhos temas e fragmnentos arquivados na memória. Já tínhamos algumas estruturas básicas  de sequencias harmônicas e versos delineados. Costuramos tudo, juntamos pedaços, enfiamos a frase obrigatória. Nasceu "Tarde".
Quem escuta a música dificilmente imagina que ela foi feita às pressas, com uma frase de encomenda, nos bastidores de um estúdio. "Tarde" 

Valente Nordeste - Olodum

Em 1994, o Olodum lançou um disco denominado "Filhos do Sol", sendo que a música que mais me chama atenção no disco é "Valente Nordeste". Eu gosto dessa música porque representa a assunção de uma Bahia que é nordestina, de uma parte da Bahia que é nordeste e se sente nordestina. 
A música é cheia de referências ao sertão, à seca, ao agreste, aos estados do Nordeste (Além da Bahia, Paraíba, Maranhão, Ceará, Sergipe, Alagoas, Pernambuco  - não houve menção ao Piauí e ao Rio Grande do Norte).
A letra ressalta, de um lado, as condições adversas do clima, a seca, o sol, a morte de gado e de gente, a discriminação do governo, a a resistência dos "beduínos", que vivem não no deserto, mas no agreste, e que são valentes e que resistem...
Blog de musicaemprosa : Música em Prosa, Valente Nordeste - Olodum
Outro dado interessante é que a Bahia somente passou a fazer oficialmente parte da Região nordeste a partir do final da década de 60, pois antes tanto Bahia quanto Sergipe faziam parte de uma região chamada Leste, dividida em setentrional e meridional. Sergipe e Bahia estavam na parte setentrional. Na meridional, ficavam Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro (na época, sede do Distrito Federal).
E como se trata de um estado com dimensões enormes, existem muitas Bahias, que se identificam com várias culturas. Mas é certo que existe com muita força uma Bahia nordestina, que tem o sertão, a seca, e a identificação com a força tão belamente narrada por Euclides da Cunha em sua grande obra "Os Sertões". E não por acaso, o episódio narrado no livro se passa em Canudos, no sertão da Bahia, nordeste do Brasil. 
Blog de musicaemprosa : Música em Prosa, Valente Nordeste - Olodum
Por isso gosto da mistura de tambores com sanfona que ocorre na música Valente Nordeste. O Olodum se apropriando de modo tropicalista dos elementos nordestinos, assumindo-se como tal, e fazendo uma bela homenagem por pertencer a um povo só. O  do Nordeste do Brasil. 
A letra: 
Vem meu beduíno
Chega seu menino
Faz assim comigo não
Do deserto do Saara

Vem pra minha Paraíba
Ceará ou Maranhão (hum!)
Alagoas coisa boa
Pernambuco não caçoa
A Bahia da canção
Porque não pro meu Sergipe
Vou de jegue
Vou de jipe
Chego lá
Volto mais não
Amor amor
Amor amor

eh a eh, nordeste
nordeste, nordeste
eh a eh, cabra da peste
nordeste, nordeste

O sol que nos castiga
prumou que nao sacia
A sede desse rico chão
Pra ficar mais fertilizante

Pra ficar mais elegante
Pra minha vegetação
Lá do alto da colina
Meu casebre pequenino

Com a luz de lampião
Olodum que e nordestino
Canta, canta seu menino
E voa alto pro sertao
amor amor amor

eh a eh, nordeste
nordeste, nordeste
eh a eh cabra da peste
nordeste , nordeste

A história não lhe mente
morre gado
morre gente
Na seca judiação
Não tem água cristalina
E o governo discrimina
Pobre povo, pobre chão
amor amor amor

eh a eh, nordeste
nordeste, nordeste
eh a eh cabra da peste
nordeste , nordeste

Coração de Papel

Atualmente, quem vê ou escuta Sérgio Reis identifica  e pensa imediatamente em música sertaneja. Mas não foi sempre assim. Se estivéssemos, digamos em 1967, Sérgio seria identificado com uma musicalidade urbana e com a Jovem Guarda. Inclusive, poucos sabem que ele começou cantando Rock com o nome artístico "Johnny Johnson".
O seu primeiro sucesso foi "Coração de papel", e deve-se a uma briga com sua então namorada, Ruth. Narram  então a história da canção Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello, na sua conhecida obra "A canção no Tempo. Vol. 2 (Ed.34)" 
Magoado por haver brigado com a namorada Ruth, Sérgio Reis dedilhava o violão, enquanto aguardava o almoço, preparado por dona Clara, sua mãe. Como estava demorando, resolveu escrever uma letra, mas logo desistiu da tarefa e, ao jogar fora o papel, comentou para dona Clara: “meu coração está amassado como aquela bola de papel.”
De repente, percebendo que a imagem poderia funcionar como motivo para uma canção, retomou o violão e compôs em poucos minutos “Coração de Papel”, terminando-a antes mesmo do almoço ficar pronto.
Dias depois, vindo à sua casa o produtor Tony Campello, em busca de repertório para a dupla Deny e Dino, gostou tanto da composição que acabou sugerindo uma fita demo com o próprio Sérgio, o mais indicado para cantar sua pungente melodia.
Aprovada por Milton Miranda, diretor da Odeon, “Coração de Papel” foi gravada por Sérgio num compacto duplo, acompanhado pela orquestra de Peruzzi, com o reforço vocal dos Fevers, Golden Boys e Trio Esperança. Apesar de bem executada nas rádios, a composição recebeu um impulso definitivo do Chacrinha, que durante oito semanas ofereceu um prêmio de mil cruzeiros novos ao calouro que melhor a interpretasse.

Blog de musicaemprosa : Música em Prosa, Coração de Papel
Pelo jeito a música comoveu a namorada, pois, em 1970, Sérgio casou-se com a musa inspiradora da composição “Coração de Papel”, Ruth. E mesmo ele passando a se dedicar á música sertaneja na década de 70, esse sucesso o acompanhou... mas escutem a canção, para ver como é bem Jovem Guarda...

Perdão, emília

Uma das mais antigas modinhas de que se tem notícia é a triste e melodramátrica "Perdão, Emília", cuja primeira gravação de que se tem notícia remonta ao ano de 1902. Em 1900 Melo Morais Filho, citado por Tinhorão, já se referia à música "Perdão, Emília", como uma canção popular e anônima.
O cenário em que a canção se desenvolve é um cemitério. No meio da noite, entra um vulto, vestido de preto, que se curva diante do sepulcro e pede perdão a Emília, por ter manchado-lhe os lábios e a honra. 
Eis que então a voz de Emília passa a responder do sepulcro, lamentando ter se deixado apaixonar pelo “monstro tirano”, afirmando que o pecado da sedução e do subsequente abandono não terá perdão.
Blog de musicaemprosa : Música em Prosa, Perdão, emília
E o vulto, ditado, aos pés do sepulcro, insiste no pedido de perdão.  
A modinha, cheia dos moralismos e dos melodramas, cuida de uma realidade típica que  durantes séculos permaneceu na cultura popular eropeia e brasileira: a da virgem pura que cede aos encantos daquele que jura eterno amor. a pós consumado o ato e cedida a tentação, o varão despreza a quem tanto desejara, como se a cessão "desvalorizasse" a mulher, que, desgostosa, vem a morrer. 
Blog de musicaemprosa : Música em Prosa, Perdão, emília
São as inevitáveis conexões entre sexo e culpa, presentes de maneira absolutamente dramática na cultura popular. E mostra um fato: a música é o reflexo da cultura de um país e de uma geração. E não foi á toa que a mesma modinha foi fravada e regravada  (e até mesmo parodiada) diversas vezes ao longo do Século XX. 
Há referências de que seus autores verdadeiros sejam o português José Henrique da Silva e Juca Pedaço, no ano de 1889. Eis a letra: 

 Já tudo dorme, vem a noite em meio, a turva lua se surgindo além: / Tudo é silêncio; só se vê nas campas, piar o mocho no cruel desdém. / Depois, um vulto de roupagem preta, no cemitério com vagar entrou. / Junto ao sepulcro, se curvando a medo, com triste frase nesta voz falou:

"Perdão, Emília, se roubei-te a vida, se fui impuro, fui cruel, ousado... / Perdão, Emília, se manchei teus lábios. / Perdão, Emília, para um desgraçado."

"Monstro tirano, por que vens agora, lembrar-me as mágoas que por ti passei? / Lá nesse mundo em que vivi chorando, desde o instante em que te vi e amei.Chegou a hora de tomar vingança, mas tu, ingrato, não terás perdão...
Deus não perdoa as tuas culpas todas, / Castigo justo tu terás, então. / Perdi as flores da capela virgem, / Cedi ao crime, que perdão não tinha, mas, tu, manchaste a minha vida honesta, / Depois, zombaste da fraqueza minha...

Ai, quantas vezes, aos meus pés, curvado, davas-me prova de teu puro amor. / Quando eu julgava que fosses um anjo, não via fundo nesse olhar traidor. / Mas vês agora, que o corpo em terra tombou, de chofre, sobre a lousa fria."

E quando a hora despontou, na lousa um corpo inerte a dormitar se via: / "Perdão, Emília, se manchei-te a vida, se fui impuro, fui cruel, ousado... / Perdão, Emília, se manchei teus lábios. / Perdão, Emília, para um desgraçado."....


Fontes: http://cifrantiga3.blogspot.com.br/2006/03/perdo-emlia.html
http://www.unirio.br/mpb/ulhoatextos

Ins't she lovely - de Stevie Wonder para sua filha Aisha

Já escrevi aqui em algumas ocasiões o quanto são alegres as músicas que tratam do amor de pais para filhos. É um tipo de amor único, diferente de todos. Ser pai é diferente de ser mãe, já que ao nascer do filho a mãe já é, enquanto o pai torna-se pai a partir da gravidez, mas é com o nascimento que ele começa a tornar-se pai. 
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E as canções dos pais para filhos ou filhas, sobretudo quando eles são pequeninos, refletem uma alegria, uma esperança, para que não dizer, um orgulho de saber que o mundo fica melhor apenas pela existência destes seres pequeninos...
Blog de musicaemprosa : Música em Prosa, Ins't she lovely - de Stevie Wonder para sua filha Aisha
E vou trazer, nesse dia, mais uma canção de amor de um pai para sua filha. Trata-se da música "Isn´t She lovely", composição de Stevie Woder para celebrar o nascimento de sua fila Aisha. toda a música é uma celebração, à beleza, à vida, ao fruto de uma relação de amor. 
Stevie Wonder e sua filha Aisha

Nada mais precisa ser dito nessas horas, é uma forma de abençoar à filha e agradecer pela sua chegada ao mundo, ao tempo que significa também um agradecimento à mãe. E o fato de Stevie Wonder não poder enxergar é irrelevante para que ele perceba, na suavidade da pele, no cheiro inconfundível de bebê, no choro, o quanto ela é linda e adorável. 


Mais uma homenagem de pai pára filha 

Isn't she lovely?
Isn't she wonderfull?
Isn't she precious?
Less than one minute old
I never thought through love we'd be
Making one as lovely as she
But isn't she lovely made from love

Isn't she pretty?
Truly the angel's best
Boy, I'm so happy
We have been heaven blessed
I can't believe what God has done
through us he's given life to one
But isn't she lovely made from love

Isn't she lovely?
Life and love are the same
Life is Aisha
The meaning of her name
Londie, it could have not been done
Without you who conceived the one
That's so very lovely made from love.

Os Doces Bárbaros - O filme

O ano: 1976. Para comemorar os dez anos comuns de carreira, Bethania chama Caetano, Gil e Gal para formarem um conjunto para se apresentar pelo Brasil. Fazem um repertório especial, com músicas como O seu amor, Esotérico, Pé quente cabeça fria, Um índio, além de Fé cega, faca amolada, de Milton, e Atiraste uma Pedra, de Herivelto Martins.
Tudo isso foi documentado por Tom Job Azulay. E com algumas situações divertidas, e outras nem tanto.
Há muito destaque para a prisão de Gil por porte de drogas, ocorrida em Florianópolis, com filmagem da própria audiência em que ele foi condenado, mostrando o quão, amiúde, a justiça criminal pode ser ridícula. Não dá para deixar de notar o sorriso de Gil enquanto o juiz profere a sentença. No que ele estava pensando? 
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Entremeada com as canções, é divertido ver como Caetano e Bethania ridicularizam elegantemente os repórteres que os entrevistam. 
Num determinado momento, um repórter pergunta porque a Banda é "tão doce". Segue o diálogo: 
Por que um grupo tão doce, tão açucarado, no atual momento da conjuntura nacional?
(Repórter 1).
Não entendi a sua pergunta (Caetano).
Por que o tão doces? (Repórter 1).
Não é tão doces. É doces bárbaros. O tão é seu, você é que está falando em nome da
conjuntura, então você ponha o tão... (Caetano).
Vai dar um LP dos quatro? (Repórter 2).
Vai, a gente já fez um compacto duplo (Caetano).
Eles já vêm com um esquema comercial montado, não se preocupe (Repórter 1).
Claro! (Caetano).
Não seria mais um produto para consumo imediato? (Diversos repórteres).
Mas é claro que é mais um produto (Caetano).
E vocês estão bem convictos disso. O Gil, agora há pouco, disse que era prá tocar no
rádio, prá vender mesmo (Repórter 1).
Não, claro, como todo mundo. Não conheço ninguém que faça o oposto (Caetano).
Não, porque você me perguntou, disse assim: tem umas músicas que você faz de vez em quando pra tocar no rádio, e eu disse: não, eu faço todas prá tocar no rádio. Eu não sou louco. E disse mais: aquela que se chamava "Essa é prá tocar no rádio" nunca tocou no rádio (Gil).

Bethania também tem a oportunidade de desconstruir tudo o que o repórter pergunta, desde a suposta influência de Caetano na sua carreira, passando pela religiosidade e adesão a movimentos.
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Divertida a visita de Baby Consuelo e Paulinho Boca aos Doces Bárbaros. 
Valem muitas sensações que o filme passa. O visual do grupo, a voz, ou melhor, as vozes, a beleza de Gal, o cenário que hoje parece tosco, o colorido, o universal e o regional, um certo ar de prazer e de improviso, e, sobretudo, o prazer daqueles quatro excepcionais artistas cantando juntos.
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Era a invasão dos Doces Bárbaros, que vieram da Bahia para, dez anos depois, consolidar o que tinha trazido o Tropicalismo. Vale a pena.   

Grease

"Summer Nights", também conhecida como "Tell me more" é uma divertida canção do musical Grease, originalmente criada por Jim Jacobs e Warren casey, como uma peça teatral que narrava a história de adolescentes na década de 50, e que ganhou uma versão açucarada para o cinema, em 1978, estralada por John Travolta e Olivia Newton-John. 

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O tema da música se origina  deriva de um amor de verão vivido entre Danny (John Travolta) e Sandy (Olivia Newton-John), que havia terminado após a revelação de Sandy que ela estava voltando para a Austrália com sua família. 
No entanto, Sandy logo descobre que sua família está morando nos Estados Unidos e, posteriormente, se matricula na Rydell High School, onde Danny é também um estudante.  
Separadamente e sem que um saiba da presença do outro, tanto Danny e Sandy se reunem com seu respectivo grupo de amigos e partilham, sob uma perspecvtiva pessoal, o que aconteceu naqueles dias e noites de verão. 
Enquanto o personagem vivido por Danny ressalta seu heroísmo e insinuações picantes, sobretudo o que aconteceu fisicamente entre os dois, a personagem de Sandy ressalta o certo romantismo da situação. As conversas intercaladas transformam-se em canção. 


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Danny relata como eles se conheceram, sugerindo que ela a salvou de um afogamento, para, em seguida, dizer como se agarraram perto do cais, como se deitaram na areia, enquanto os amigos, ansiosos, pedem "Tell me more, tell me more" (conte mais, conte mais), querendo saber se ela foi fácil ou difícil, ou até que nível de intimidades sexuais tiveram.
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Sandy, por sua vez, relata cenas românticas. Danny estava nadando e molhou sua roupa, como ele segurou a sua mão e foram juntos tomar limonada, enquanto suas amigas perguntam (Tell me more, tell me more")se ele tinha carro, gastou dinheiro com ela e se foi amor à primeira vista  
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As duas histórias são cantadas de forma intercalada, e fazem um divertido estereótipo de homens e mulheres da década de 50, ou melhor, de qualquer década. 
Tudo isso com um ritmo gostoso, daquele estilo "du bi du bi du" dos anos 50, e com diversas referências típicas das noites de verão, das nostalgias daquele mágico amor de verão. 
Vale ver e ouvir... Um filme que virou cult...

Assum Preto. Lenine e Zeca Baleiro homenageiam Luiz Gonzaga

No último dia 28 de julho, Zeca baleiro e Lenine estiveram em Salvador, no Bahia Café Hall, para apresentar-se perante o público soteropolitano no evento Conceito.com. Eles tem carreiras e estilos diferentes, mas ambos são nordestinos (Zeca, do Maranhão, Lenine, de Pernambuco), e têm um público fiel e que acompanha suas carreiras.  
Zeca, mais irreverente e com suas letras inteligentes e mordazes; Lenine, com seu ritmo, bom humor e a sensação que nadora estar ali fazendo música. 
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Primeiro Zeca, depois, Lenine, cada um a seu estilo, fizeram o público cantar junto com eles muitas de suas canções. O público, a despeito do atraso no início da apresentação, estava visivelmente feliz com a experiência. 
Mas se resolveram estar juntos no mesmo dia, no mesmo palco, resolveram eles fazer uma homenagem juntos para seu público, qual seria a homenagem mais significativa? Uma homenagem aos 100 anos de Gonzagão, nascido em 1912, quando ambos, de improviso, cantaram "Assum preto", uma das mais belas, líricas e tristes letras de Humberto Teixeira para a música de Gonzagão. 
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O canto do assum preto é triste, doloroso, pois o assum preto ficou "cego dos óio", não se sabe por ignorância ou maldade, na esperança de que assim ele venha a cantar melhor. 
O assum preto, cego como ficou, não pode voar. Por isso vive solto...  antes a sina da gaiola, que assim poderia ver o céu ... e por fim, a comparação da cegueira do assum preto com a cegueira do eu-lírico, que perdeu seu amor, a luz dos seus olhos.
Numa apresentação em que ambos os cantores estavam felizes de ali estar, uma homenagem numa música triste. Bom de se ver, de se ouvir


As dez maiores cantoras brasileiras no século XX

Qualquer lista das maiores é sempre polêmica, parcial e pessoal. Quando se fala do Brasil, um país de cantoras, isso se acentua ainda mais. No entanto, quero, na medida do possível, me esquivar de preferências pessoais e destacar as mais relevantes cantoras do século XX. E segue aqui a lista, que segue uma ordem aproximadamente cronológica:

1. Carmen Miranda - Mesmo mais de 50 anos após a sua morte, Carmen Miranda dispensa apresentações. Desde seu primeiro sucesso, Taí, em 1930, até seu sucesso nos Estados Unidos, foi a primeira grande estrela nacional.
Blog de musicaemprosa : Música em Prosa, As quinze maiores cantoras brasileiras no século XXCarmen Miranda
2 - Dalva de Oliveira - Iniciando a carreira no Trio de ouro, na companhia de seu marido Herivelto Martins e Nilo Chagas, depois da separação viveu uma carreira solo de muito sucesso. Eleita a rainha do rádio, dizem que tinha ouvido absoluto.
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3 - Elizeth Cardoso - Conhecida como A Divina, foi a primeira a gravar "Chega de Saudade", inaugurando a Bossa Nova. Mas seu estilo principal foi o samba-canção
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4 - Angela Maria - Uma das carreiras com maior longevidade de sucesso no século XX, a Sapoti, como era conhecida, foi, assim como Dalva, eleita Rainha do Rádio e notabilizou-se pelos sambas-canção. 
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5 - Elza Soares - Alguém que dispensa apresentações. Dotada de voz única e inconfundível, teve uma vida sofrida e uma carreira prejudicada por seu atribulado casamento com Garrincha. Canta samba, jazz, soul, MPB de maneira inigualável. 
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6 - Elis Regina  - Muitos consideram Elis a maior cantora do século. Dona de uma voz límpida e um temperamento forte e instável, fez história, lançou clássicos e lançou muitos compositores em menos de duas décadas de carreira. 
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7 - Maria Bethania - Tudo começou quando ela cantou Carcará, em 1965, e daí começou uma carreira especial, que passa do samba-de-roda, boleros românticos, Roberto, Chico, Caetano, e tudo o que ela gosta. Canta de modo único, dramático, recita poesias, enfim, talvez a cantora mais admirada pelas outras cantoras. 
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8 - Gal Costa - João Gilberto de saias? Gal não se contentou com esse título pra lá de honroso e foi adiante. Dona de algo que é muito mais do que uma "mera voz", ela correu todos os riscos, levantou a bandeira tropicalista, misturava ritmos e ia de diva a símbolo sexual, tudo isso com sua voz perfeita. 
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9 - Marisa Monte - Depois de muito tempo, alguém pôde ser chamada novamente de diva. Com uma carreira que começou pop, passou pelo samba e tem adquirido uma veia romântica, Marisa se consolidou com sua voz suave de soprano, e com suas parcerias com o que há de melhor na composição. 
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10 - Cassia Eller  - Com uma voz rascante e um estilo de palco estravagante que contrastava com a doçura de sua personalidade, Cassia Eller deu vida e transformou muitas músicas, apropriando-se delas com sua voz.   
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E temos muitas injustiças na não inclusão de algumas cantoras por aqui. Araci Cortes, Emilinha Borba, Marlene, Dolores Duran, Sylvia Telles, Nara Leão, Nana Caymmi, Maysa, Clara Nunes, Rita Lee, Alcione, Simone, Zizi Possi...