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21 de fev de 2013

Simulação mostra trajetória do meteoro russo




Um dia depois do impacto de um meteoro sobre a cidade russa de Chelyabinsk, algumas perguntas começam a ser respondidas de modo mais consistente. Estima-se agora que a rocha flamejante tinha cerca de 15 metros de diâmetro e durante a ruptura liberou energia equivalente a 300 mil toneladas de TNT.


Simulacao trajetoria meteoro russo
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Modelos orbitais que simulam a entrada de objetos na atmosfera indicam que os primeiros instantes de ruptura da rocha ocorreram entre 40 e 50 km de altitude, sobre a cidade de Bratsk, na região central da Rússia. Nesse instante o meteoroide tinha massa estimada em 7 mil toneladas e se deslocava pelo espaço a 52 mil km/h.
Durante a ruptura o objeto se partiu em vários pedaços que cruzaram mais de 3 mil quilômetros até explodir acima da cidade de Chelyabinsk, no sul dos Montes Urais, já próximo à fronteira do Cazaquistão. A explosão ocorreu entre 10 e 15 km de altitude e gerou a poderosa onde de choque responsável pela quebra de vidraças e danos nas construções.



O choque do meteorito russo foi o maior evento desse tipo nos últimos 100 anos e o segundo mais devastador da Era Moderna, só ultrapassado pelo Evento de Tunguska em junho de 1908, quando o choque de um cometa de 120 metros acima da região da Sibéria devastou pelo menos 2 mil km quadrados de florestas.

Passou sobre o Brasil?

De acordo com o modelo computacional gerado pela empresa AGI, que fornece os programas de simulação usados pela NASA, a ruptura inicial ocorreu em algum ponto acima da Rússia. Dessa forma, seria impossível que algum satélite captasse a passagem da bola de fogo sobre o território brasileiro oito horas antes, conforme noticiado pela mídia não especializada.





Entretanto, imagens feitas pelo satélite geoestacionário europeu METEOSAT registraram a passagem do bólido acima do território russo.

Vigilância do Espaço


Após a queda do meteorito, muitas pessoas passaram a culpar a NASA, a agência espacial americana, por não ter monitorado o espaço adequadamente ou até mesmo ter escondido a informação sobre o impacto.
Teorias conspiratórias à parte, o que parece confundir a maioria das pessoas está na própria incapacidade de detecção. Afinal, se os astrônomos observam galáxias a bilhões de anos-luz de distância, porque não conseguem ver os asteroides que estão tão próximos, em rota de colisão?
Apesar de serem dúvidas aparentemente desconexas, a chave para a resposta de ambos os questionamentos está no tamanho e no brilho dos objetos e são essas características que tornam os asteroides tão difíceis de serem detectados.
Antes de tudo é preciso entender que os asteroides não são astros com luz própria, mas refletores da luz solar. Como a maioria deles é formada por rochas pequenas e escuras sua observação se torna extremamente difícil, principalmente quando se encontram visualmente próximos ao Sol, quando a intensa luz da estrela ofusca completamente as observações.
Além disso, por se moverem muito rápido pelo céu são necessárias técnicas especiais para sua detecção, que comparam centenas de imagens CCD registradas diariamente na tentativa de identificar um possível ponto móvel em cenas sequenciais.
Quando um candidato a novo asteroide é detectado por algum telescópio, uma mensagem é imediatamente enviada a outros observatórios informando as coordenadas celestiais da localização do objeto. Em seguida, após uma série de observações a órbita do asteroide é calculada e só então a descoberta é publicada.
Mesmo com toda a tecnologia disponível, o pequeno tamanho e o baixo brilho impedem uma detecção a longa distância das rochas pequenas. Quando as imagens revelam um novo objeto, este normalmente já está bem perto da Terra e pouco pode ser feito.