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13 de mar de 2013

"Canta Brasil"!... Raul Seixas!






Raul Seixas nascia “há 67 anos atrás”

Raul Seixas: O Início, o Fim e o Meio

Nesta quinta, 28 de junho, Raul Seixas faria 67 anos. Ele nasceu na Bahia, em Salvador. Era fã de Elvis Presley. “Eu ouvia os discos de Elvis Presley até estragar os sulcos. O rock era como uma chave que abriria minhas portas que viviam fechadas. Usava camisa vermelha, gola virada para cima. As mães não deixavam as filhinhas chegarem perto de mim porque eu era torto como o James Dean. Olhava de lado, com jeito de durão. Cada vez que eu cumprimentava uma pessoa dava três giros em torno do próprio corpo. Eu era o próprio rock. Eu era Elvis quando andava e penteava o topete. Era alvo de risos, gracinhas, claro. Eu tinha assumido uma maneira de vestir, falar e agir que ninguém conhecia. Claro que eu não tinha consciência da mudança social que o rock implicava. Eu achava que os jovens iam dominar o mundo”, contou certa vez.

“Maluco Beleza” (Raul Seixas e Cláudio Roberto)




Hoje tão admirado, viveu maldito. A começar na escola. “Repeti cinco vezes a 2ª série do ginásio. Nunca aprendi nada na escola. Minto. Aprendi a odiá-la”, afirmou. Mas, quando decidiu entrar numa faculdade, estudou rapidinho e passou num dos primeiros lugares para o curso de Direito. Não levou a carreira adiante. A música já o tinha laçado. Pra se virar, chegou a dar aulas de inglês e de violão. A vida não foi fácil para ele. Praticamente travou uma árdua batalha para gravar cada disco.



“Eu Vou Botar pra ferver” (Raul Seixas e Sérgio Sampaio)


Foi em nesse ano, 1972, que Raul conheceu Paulo Coelho. Sabe como? Viu uma matéria sobre discos voadores publicada na revista A Pomba, assinada por Augusto Figueiredo. Gostou e resolveu conhecer o autor do artigo. Era Paulo. Começou uma forte amizade e muitas histórias.


“Eu sou eu Nicuri é o Diabo” (Raul Seixas)



Em 1973, Raul lança o seu primeiro álbum solo: Krig-Há, Bandolo!. Dizem que isso era o grito do Tarzan e que significa “cuidado, aí vem o inimigo”. Sei não... Bem, depois que Raul se juntou a Paulo Coelho veio a “era Crowley” com o disco Sociedade Alternativa. Ambos eram seguidores do famoso bruxo Aleister Crowley, o mago inglês que, além de ser cultuado por inúmeros roqueiros internacionais, se relacionava com pessoas como Fernando Pessoa. Crowley é polêmico até hoje por sua doutrina e suas loucuras. Fato é que Raul e Paulo entraram nessa onda e até criaram um manifesto chamado “A Fundação de Krig-há”. A tal Sociedade Alternativa ganhou sede, documentos, etc. Tudo conforme pregava Aleister Crowley: “Faze o que tu queres, há de ser tudo da lei”. O disco fez sucesso.


“Al Capone” (Raul Seixas e Paulo Coelho)



A ditadura militar começa a se irritar com essas “maluquices” de Raul e ele vai passar um tempo nos Estados Unidos. Deixa gravado Gita, que é lançado e estoura. De volta ao Brasil, grava um clipe e é convidado pela Globo para fazer toda a trilha sonora da novela O Rebu.


“Porque” (Raul Seixas e Paulo Coelho)



Para Raul, a vida ia bem. Se envolvia cada vez mais no mundo do esoterismo e de seitas secretas. Resolve interpretar a obra de Crowley e gravar Novo Aeon. Fracasso. De novo.



“Sapato 36” (Raul Seixas e Cláudio Roberto)



Raul fica doente. Pancreatite é coisa séria e ele vai se cuidar numa fazenda no interior da Bahia. De lá vai para São Paulo. Depois de Jerry Adriani, é a vez de Jair Rodrigues dar uma força a Raul. É lançado Por Quem os Sinos Dobram, em parceria com Oscar Rasmussen e, voltando à CBS, lança Abre-te, Sésamo, em 1980. Também não foram sucesso reverberante. A gravadora cisma que Raul tinha de gravar um disco sobre Lady Diana. O cara se recusa e... sai fora. De novo.


“Por Quem os Sinos Dobram” (Raul Seixas e Oscar Rasmussen)



Doente e se cuidando pouco, sua situação vai se agravando. Entra em depressão. Então, a convite de João Lara Mesquita, diretor do Estúdio Eldorado, grava, em 1983, o álbum Raul Seixas. Na Som Livre, grava Metrô Linha 743. Com dois discos na praça, brinca que se deu mal porque acabou fazendo concorrência consigo mesmo. Mas ele não está bem. Sua saúde está cada vez mais abalada. Raul sai de cena algumas vezes, indo para a Bahia se recuperar.


“Eu Sou Egoísta” (Raul Seixas e Marcelo Motta)



Em 1985, seu fã-clube oficial faz algo inédito: produz e distribui o disco Let me Sing my Rock and Roll. Depois de batalhar muito, Raul consegue outra gravadora interessada em seu trabalho, a Copacabana. Grava Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum! e o sucesso o abraça de novo. Só que o cara não estava bem. Foi ficando quieto e entediado.




“Let me Sing my Rock na Roll” (Raul Seixas)




Marcelo Nova, vocalista da banda Camisa de Vênus, aparece para reanimá-lo. Ele volta a fazer shows com o amigo e o resultado é o disco A Panela do Diabo, que só foi lançado dois dias antes da morte de Raul. Antes disso, em 1988, lança A Pedra do Gênesis, que falava da controvertida Sociedade Alternativa e, mais uma vez, nada de sucesso.


“Carpinteiro do Universo” (Raul Seixas e Marcelo Nova)



Raul Seixas morreu em 21 de agosto de 1989 em casa, sozinho, como Amy Winehouse e muitos outros. A empregada o encontrou ao chegar à casa dele de manhã. A causa da morte foi a tal pancreatite.


“Metamorfose Ambulante” (Raul Seixas)